LAICO?
(Lel Amaro)
Olha só, dia desses eu estava
navegando nas redes sociais quando me deparei com uma notícia tão boba e tão
ridícula que cheguei a pensar que era uma mentirinha apenas para zoação. Só que
aquilo ficou na minha cabeça e eu fui pesquisar se tinha mais alguma matéria
publicada sobre o mesmo caso, e pasmem, é verdade: evangélicos estão querendo
conseguir na justiça a retirada de uma estátua de Iemanjá do Rio São Francisco!
E não é só isso não! Também querem a retirada de outra estátua, o Nego D’água!
Parece boato, mas é sério,
infelizmente. A justificativa para tal ato, segundo o que foi publicado, é o
fato de que o rio São Francisco pertence à União, e sendo o Brasil teoricamente
um país laico, as estátuas religiosas seriam inadequadas.
Pois bem, depois de toda essa
enxurrada, ficam algumas dúvidas pairando sobre nossas cabeças. Vamos pensar um
pouco?
O Brasil é um país enorme, e se você
não sabe, há muitos monumentos religiosos em diversas cidades brasileiras. Vou
dar alguns exemplos e você pesquisa os detalhes depois.
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Cristo
Redentor – Rio de Janeiro, RJ;
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Santa
Rita de Cássia – Santa Cruz, RN;
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Padre
Cícero – Juazeiro do Norte, CE;
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São
Francisco das Chagas – Canindé, CE;
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Estátuas
de oito orixás no Dique do Tororó – Salvador, BA.
Agora que você já conhece alguns
monumentos religiosos do Brasil, pensa comigo: todos eles serão demolidos ou
removidos por sermos um país laico? Será que vão arrancar o Cristo Redentor do
Corcovado? Ou será que a implicância é só com Iemanjá? Hummm... Acho que agora
chegamos ao ponto.
Não é novidade para ninguém a forma pejorativa
e desrespeitosa como muitos evangélicos se referem à Umbanda e às religiões de
matriz africana. Há pouco tempo vimos um caso deprimente de barbárie,
preconceito, discriminação, intolerância religiosa e violência por parte de
alguns evangélicos que agrediram uma menina com pedradas quando a mesma saia de
um terreiro de Candomblé com sua avó. Nem vou contabilizar aqui os casos de
invasões a templos e quebra-quebra de imagens sacras porque todo mundo já sabe
disso tudo.
De repente, nos vemos diante de um
novo caso de intolerância religiosa, mas por outros meios. Agora, em vez de
pedras, são papeis! Querem formalizar na justiça o preconceito e discriminação
alegando, como foi dito, que o rio é público.
Querido leitor, vamos analisar uma
contradição. Eu cresci na igreja evangélica e vi por diversas vezes os chamados
eventos ao ar livre. Você sabe o que é isso? Simples! Os evangélicos fazem suas
reuniões religiosas em praças públicas ou até mesmo na rua! Eu mesmo já
participei de eventos assim. Mas pode isso? A rua não é pública? O Brasil é um
país laico, lembra? O que pode pra uma religião não pode pra outras? Recentemente
foi divulgado o vídeo de um pregador relatando como incentivou os membros de
sua igreja a invadirem um evento de outra religião em local público para
impedirem tudo, inclusive se referindo às entidades como demônios. É... Tá feio
isso...
Fato é fato. Enquanto algumas
igrejas fazem eventos em locais públicos, às vezes com muito barulho causando
incômodo aos adeptos de outras religiões, Iemanjá está lá quietinha, sem
atrapalhar a absolutamente ninguém. Não tem cabimento mexer com quem está
quieto.
Sabe o que eu acho? Tem muitos
outros motivos que realmente merecem preocupação, como a fome, a pobreza, os
maus tratos aos animais, a violência, enfim, a falta de amor. Quem ama promove
a paz, a união e o respeito.
Pra finalizar esse texto com um
pouco de alegria, quero dizer a você que existe esperança. Há dias vi outra
notícia que me deixou contente: a união de evangélicos, católicos e umbandistas
praticando o amor! Isso é lindo! Isso vale a pena!
Que Deus nos abençoe, que possamos
aprender a amar como diz a oração de São Francisco, e que Iemanjá leve para o
fundo das águas toda maldade, preconceito e intolerância religiosa. Paz!
OOOOOOO












