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Aqui no blog você pode conhecer um pouco dos meus textos, minhas opiniões, minhas preferências... Boa leitura!

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Comentários


COMENTÁRIOS
(Lel Amaro)

            Olha só, navegando nas redes sociais qualquer um percebe que virou costume postar textos diversos, opiniões e fotos pessoais para quem estiver na rede ler e comentar livremente. Bom, a meu ver, desde que a postagem seja feita com cautela, sem revelações comprometedoras, ótimo. Absolutamente nada contra. Na verdade, o que me incomoda são os comentários.
            É fácil notar que o povo internauta é de uma indelicadeza tamanha que assusta. Basta uma opinião contrária, ou algum erro simples (ou não) de gramática ou ortografia, ou fotos que não estão no padrão de beleza vigente.  Logo começam a aparecer adjetivos como “idiota”, “burro”, “imbecil”, e ordens como “vai estudar” ou “volta pro mar, oferenda”.
            Quando a gente vai montar um perfil em uma rede social, itens como padrão estético e nível de escolaridade não são pré-requisitos para entrada. Qualquer um que saiba ler ainda que pouco e tenha acesso à internet está dentro. E quando eu digo qualquer um, me refiro a pessoas de origens diferentes, religiões diferentes, problemas diferentes e histórias diferentes.
            Falta bom senso de quem escreve qualquer comentário agressivo sem levar em conta o impacto que pode ser causado a pessoa que fez a postagem original. Não é necessário chamar ninguém de feio ou burro, nem mesmo de fazer comentários que possam ofender as crenças religiosas de qualquer que seja o leitor. A palavra é muito forte e perigosa demais, devendo ser utilizada com carinho e muito cuidado.
            É claro também que não devemos ir à outro extremo. Vemos também fotos de pessoas, vamos dizer, esteticamente desfavorecidas, com comentários mentirosos, como por exemplo, “linda”, “tá gata”, “perfeita” e por aí vai. Francamente, pelo amor do Santo, não é mesmo?
            Falar mentira pra agradar é mentira e pronto! De mentira e falsidade o mundo já está cheio demais! Continua valendo o bom senso. Seja oralmente ou por escrito, palavras devem ser ditas quando valer a pena dizê-las. Caso contrário, calar será sempre uma ótima opção. O mundo virtual agradece.


V V V V V V V

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

BOTÕES


BOTÕES
(Lel Amaro)

Eu aqui com meus botões
Fico pensando em segredo
E observando, em secreto
Que a vida está cheia de botões
São tantos botões em todos os lugares
E sempre estão inventando mais botões
Botões nos carros, nos computadores
E eu fico somente pensando com meus botões:
Pra que tanto botão?
Criam-se tantos botões para tantas finalidades
E toda essa quantidade de botões é insuficiente
Botões podem até ficar por aí, por algum tempo
Mas tudo passa, até mesmo os meus botões
Da minha fina camisa, ou do meu paletó
E não tem muita garantia de futuro
Esses botões artificiais, cheios de erros
Os botões naturais sim
Esses até inspiram alguma esperança
E o bom jardineiro, com seu avental
Cuida bem dos seus botões
E eu aqui com meus botões
Continuo pensando em segredo
E observando, em secreto
Disfarçado em meu paletó
Até mesmo as mais belas flores,
Dos mais belos botões
Não são eternas
Bem como os carros
Bem como os computadores
Bem como o jardineiro
Bem como eu
Que, aqui com meus botões
Fico pensando em segredo
E observando, em secreto
Que todos poderão levar no peito
Segurando em suas mãos frias
Um botão, de uma bela flor
Quando fecharem os botões do paletó
Ficarão com seus botões, em segredo...
Descansando, em secreto...


VVVVVVV

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Onde estará o meu amor?

ONDE ESTARÁ O MEU AMOR?
(Lel Amaro)


            Olha só, acredito que a dúvida que eu abordo possa ser a dúvida de muitos outros que estão por aí, mas que diante dos esmagadores desvios comportamentais e distorções de valores da sociedade atual, se sentem espremidos em um canto sombrio, onde fica a saudade de um tempo que não pudemos vivenciar. Apenas escutamos ecoar a pergunta vinda de bocas chorosas que calam, mas não querem calar: onde estará o meu amor?
            Essa pergunta já foi cantada por uma grande baiana, em versos anotados por um notável compositor paraibano, e permanece sem respostas. Ninguém sabe, mas muita gente já viu e já sentiu.
            O amor é lindo! As pessoas suspiravam dizendo essa máxima, assistindo peças românticas nos teatros, escrevendo cartas em papéis bonitos decorados, preparando serenatas sob o risco de receber um balde de água fria na cabeça... Foi um tempo que cercas eram puladas, mas para encontrar aquela menina superprotegida pelo pai, ou para um encontro em uma tarde bonita, sob uma frondosa árvore à beira de um lago cristalino.
            Num tempo onde existia muito ódio e preconceitos declarados, o amor sobrevivia à duras penas, mas sobrevivia e era real! Se alguém dizia amar outro alguém, é porque amava mesmo, e fim de papo!
            E o amor que era lindo nos livros, começou a ser cantado nas rádios, gravado em discos de 78 rotações por minuto, daqueles de goma laca, chegou às telas e preto e branco das televisões de tubo, daquelas que a imagem começava a despencar logo na hora do beijo final e deixava as mocinhas histéricas. Nesse mesmo tempo, com escorregadas tímidas e maliciosas, o amor também começou a despencar.
            Desonestamente, o ódio, que era repelido, começou a ganhar espaço nas radionovelas, nas telenovelas, no cinema e até nos livros. As armações começaram a ser trabalhadas, porque mostrava a luta do bem contra o mal, e blá blá blá... E foi assim que o mal foi ficando cada vez mais íntimo das famílias de bem como algo suportável de se ver, e até divertido de se ler ou assistir. Tornou-se até mesmo inspirador. E o amor, coitado, desapercebidamente, era marginalizado.
            Outrora cantava-se “eu sempre vou te amar”, “tu és divina e graciosa”, elogiavam-se os olhos, os sorrisos, e quando o povo se deu conta, chegamos nos anos 90. Aí a coisa já estava encaminhada para o fim. O bonito não é mais a conquista, mas quem pega mais, beija mais, usa mais e se torna popular por ser superficial. E nessa moda de peitos, bundas e pintos revelados, o amor se torna brega, démodé, antiquado, careta, e tantos quantos forem os adjetivos negativos e pejorativos que a sociedade dita descolada e vida louca quiser dar ao sentimento mais nobre, que eu quero muito acreditar que ainda tenha forças para existir.
            Não é porque eu estou partindo do ponto de vida artístico que tudo isso é apenas fantasia. A arte e a vida real se refletem e se misturam, e nada é completamente dissociado. Tudo isso mostra como tem sido as atitudes das pessoas umas com as outras principalmente da década de 90 para cá! O amor foi reduzido ao nível banalizado de uma mera expressão de efeito, e olhe lá! As pessoas fazem promessas mentirosas em nome de um falso amor e em poucos meses, senão dias, dão uma banana para o parceiro ou parceira, sem o mínimo de respeito e consideração com o sentimento alheio.
            Com sentimento não se brinca. Coração não é brinquedo. As pessoas deveriam se dar conta de que atitudes ruins são cadeados fortíssimos, capazes de trancar corações magoados. Aqueles que ainda buscam sustentar a esperança de viver um amor real, encontram corações trancados e feridos, e acabam por serem bloqueados pela frieza e desconfiança. E então voltamos à nossa pergunta, lá do início: onde estará o nosso amor, se é que ele ainda existe e sobrevive?
            O amor ainda existe sim, e sobrevive enjaulado, com ânsias de viver em liberdade e reinar novamente entre corações, olhos e sorrisos sinceros. Ele grita em cada olhar solitário implorando por espaço, mas é abafado pelo medo das experiências sofridas com atitudes ruins de pessoas vazias e inconsequentes.
            Eu acredito que o amor é forte o bastante para quebrar os cadeados de medo e decepção, e abrir os corações que estão trancados na escuridão para um horizonte bonito, suave e livre de amarras. O amor não é vulgar, não é brega, nem démodé. O amor continua lindo, continua vivo, e está esperando e procurando quem o queira. Todos nós podemos amar. O amor está bem aqui. Chega de perder tempo com molecagem, pelo amor de Deus...


VVVVVVV