INTROMETIDA
(Lel Amaro)
Não
me permito mais ficar triste. Evito a possibilidade ruim, e se ela chega,
combato. Mudo o foco, escrevo um texto, desenho, componho músicas e como o que der
vontade e o bolso permitir.
Deixo
de lado os padrões; eles são altamente depressivos. Faço as pazes com o espelho
todos os dias, logo pela manhã, e saio para o trabalho com os tampões de ouvido
que neutralizam as palavras negativas. Luto constantemente contra o abuso de
palavras, e também contra a economia.
Se
no fim do dia ainda percebo um vulto
de tristeza tentando me ameaçar, aceito o convite de Morfeu e vou para o mundo
onde eu posso fazer o que eu quiser. Nesse mundo eu não sou preso ao chão.
Basta dar um impulso e sentir o vento beijando a minha pele.
A tristeza fica pra trás. Voo para
as montanhas, de onde vejo como o mundo é grande, e mesmo assim, é apenas um
pedacinho do universo, e como a tristeza que me ameaça é pequena diante da
imensidão de motivos para ser feliz. Então, eu respiro aliviado, e descanso,
porque voar cansa um bocado...
Mas sabe? Vou te confessar uma
coisa: às vezes a tristeza fica um pouquinho aqui perto de mim, mas é sem a
minha permissão. Ela é muito intrometida. Mas rapidinho ela desiste e vai
embora, e se não desiste, eu a expulso. Ela não desiste, e eu também não.
LLKKJJJ
