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Aqui no blog você pode conhecer um pouco dos meus textos, minhas opiniões, minhas preferências... Boa leitura!

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Descanso

DESCANSO
(Lel Amaro)



            Ah velha, com suas mãos frágeis e trêmulas. Essas mãos que já foram lisas, mas hoje estão gastas pelo sabão, pelas vassouras, pelas cebolas... Essas mãos que acariciaram meu cabelo, hoje imprecisas, nem penteiam mais os fios brancos e ralos de sua cabeça.
            Ah velha, com sua cabeça branca, pendendo para frente dos ombros. Essa cabeça que sustentava sua valentia diante da vida, hoje mal se sustenta, com o peso dos anos que enfeitam seu chapéu florido. Essa cabeça que me contou tantas histórias, agora me diz as últimas mensagens através de seus olhos.
            Ah velha, com seus olhos profundos, levemente abertos. Esses olhos viram o mundo mudar, e seus sobrinhos, filhos e netos crescerem, crescerem, até que um de cada vez foi sumindo, sumindo... E ficaram os seus olhos, profundos e úmidos, sob suas mãos trêmulas, sob sua franja rala e branca.
            Ah velha, eu sei que hoje seu corpo é cansado, e que não demora a sua partida, mas me deixa ficar aqui um pouquinho. Envolvido em seu xale de lã, está um coração que cruzou décadas, amou a muitos, e ainda não parou. Espera só mais um pouquinho, repousa sua cabeça em meu ombro, e recebe de volta um pouquinho do que distribuiu.
            Então, aos pouquinhos, deixe descansar suas mãos, sua mente, seus olhos, seu coração...


TTTTTTT

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Até logo!

ATÉ LOGO
Lel Amaro



            Para morrer basta estar vivo. Quem de nós nunca ouviu essa frase? E não é que ela faz muito sentido? Engraçado como falamos friamente estas palavras quando nos deparamos com notícias de falecimentos nos jornais, ou mesmo no trabalho ou vizinhança.
            Ainda que haja o respeito pela família enlutada, essas palavras frias surgem das bocas confusas, que se atrapalham e acabam por não observar a delicadeza. Dizem com firmeza de pensamento e tenebrosa voz: para morrer basta estar vivo.
            E aí a coisa fica estranha. Os próximos ao defunto se indignam, os próximos a quem fala tecem reflexões sobre a vida, e os demais, por vezes, até acham graça, zombam da situação...
            E assim caminham os vivos, com a morte na cara, porém, displicentes.
            Sejamos realistas: quando morre alguém por aí, é fácil dizer que ‘basta estar vivo’, mas quando a morte bate a nossa porta, a situação muda. Por mais que as evidências nos mostrem uma foice na esquina, estamos preparados é para a vida, e só. Mesmo que alguém se diga preparado para a morte, quando ela chega, a força vai, o chão não é seguro, a vida por um momento não faz sentido e tudo o que fica é um grande oco.
            Por mais que alguém queira, não dá para controlar um acontecimento que supera a força de qualquer exército. A tropa mais armada e mais treinada que entrar em batalha inevitavelmente trará consigo a memória de seus mortos. E neste momento, não há palavras que expressem a dor, não á gestos que preencham o vazio; simplesmente não há o que se possa fazer.
            Acredito que não há como vencer a morte porque não se vence o que não existe. O que é a morte? Para muitos é o fim, a certeza de nunca mais tocar em alguém, olhar nos olhos, sentir o perfume. Não poder mais ouvir a voz de um ente querido ou mesmo dizer aquilo que queria ter dito no café da manhã de ontem, mas faltou a coragem. Não vejo dessa forma.
            A morte dói para todos nós, porque não há quem consiga raciocinar com o juízo perfeito nesse momento, mas quando a dor passa, nossa mente pode se abrir para aquilo em que muitos como eu acreditam.
            A morte é como uma mudança de emergência, com todo aquele desconforto de fazer tudo às pressas porque não há mais tempo para esperar. Só que nessa mudança, não podemos ir todos juntos. Tudo o que sabemos é que todos nós embarcaremos de repente, e que só foi paga a passagem de ida.
            Um dia todos nós nos encontraremos mais uma vez, em um lugar muito melhor, assim espero, e vamos rir muito dessa coisa toda. Vamos ver que a bagagem de todo mundo ficou perdida na estação, e que foi bobagem se importar com tanta coisa pequena. Medalhas, cofres, troféus, diplomas, tudo empilhado nos achados e perdidos.
            Então, em nosso reencontro, a cada pessoa que a gente rever será um novo sorriso e um novo abraço. Sentiremos de novo cada perfume, ouviremos cada voz, e diremos tudo o que deve ser dito. Quem vai morrer é a saudade, e essa sim, vai sumir pra sempre. Enfim, teremos a certeza de que nunca mais nos separaremos.
            É nisso que eu acredito, e assim pretendo continuar acreditando. Morte é apenas uma viagem, e viagens costumam ser muito boas. Por isso, prefiro e escolho não dizer adeus a ninguém. Melhor olhar no rosto de quem vai, e mesmo sentindo a dor da despedida, dizer com muita fé: até logo, meu querido amigo. A gente se vê logo mais.


VVVVVVV

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O tempo passa...

O TEMPO PASSA...
(Lel Amaro)



            Com um aviso, comecei um novo ciclo. Aí, vimos que apesar de polêmicas, como aquela dos carros oficiais, devemos sempre sorrir, no domingo, ou qualquer que seja o tempo.
            Falei sobre a verdade sobre ser cantor gospel, em alguns casos, mandei cartinha para o Papai Noel, e tentei conviver bem com as reflexões de segunda-feira.
            Comentei sobre a realidade do SUS, a importância de uma boa companhia e desejamos todos feliz Natal.
            Falei sobre a pergunta de muitos solitários: onde estará o meu amor? Aqui com meus botões, teci comentários diversos... Como não sou perfeito, contei uma mentirinha de 1º de abril, e pedi a você: mesmo com essa mentirinha, diz que me ama.
            Refletimos juntos sobre o sucesso musical no Brasil, reviramos nossas memórias.
            Refletimos juntos sobre o aborto, lendo a emocionante mensagem de uma filha.
            Vimos como sofreu o Satanás no país da copa, e a curiosa história da galinha e o leão. É bom preparar os primeiros socorros...
            Lembramos juntos de um dos nossos maiores campeões, e nos demos conta de que já fazem 20 anos de sua partida.
            Falei de putas, fé cega, sonho estranho..., até uma breve consideração sobre a delicadeza do torcedor. Cantei uma nova música, e sempre cantarei. Quando eu morrer, quem irá me ouvir?
            Mandei cartinha aos leitores, sem medo da queda, sem esperar souvenir. Pensei até que iria apanhar quando disse: quer um docinho?
            E assim, como o jardineiro em seu jardim, continuei e continuo regando esse blog. O resto é resto. E mesmo em luto, dizendo R.I.P. Brasil, mesmo sabendo que alguns que se diziam amigos hoje são inimigos, eu sei que novos amigos virão, e continuo acreditando que dias melhores virão, e enquanto eu acreditar, esse blog terá sentido de existir.
            Hoje, completamos um ano, desejando que venham novos anos, novas realizações, emoções, e tudo o que temos direito. Obrigado a você que me visita. Até a próxima!


JJJJJJJ

domingo, 26 de outubro de 2014

R.I.P. Brasil

R.I.P.
BRASIL
(Lel Amaro)

            Olha só amigos, o peso de tantas orelhas dói nas minhas costas. Diante do que vemos nesse dia 26 de outubro de 2014, não escreverei. Apenas deixarei algumas imagens que falam por si.














            Diante de tudo isso, tudo que fica é uma nuvem negra de perguntas pairando sobre a minha cabeça. Por quê? Como assim? Como tudo isso se encaixa? Sem mais...

...

terça-feira, 7 de outubro de 2014

RESTO

RESTO
(Lel Amaro)



            Sabe, de uma coisa eu tenho total consciência: para muitos sonhos o meu tempo passou e é tarde demais para revivê-los.
            Muitos planos, projetos e metas foram afogados por águas que não vale a pena tentar buscar palavras suaves para descrever, e por isso, não farei esse esforço. Também não me interessa mais a fonte, visto que a correnteza já passou e derrubou tudo, e quando o nível começou a baixar, só sobraram galhos quebrados, cadáveres e pedra lavada.
            Assoreado, com margens feias e peladas, cimentadas e frias, mesmo assim ainda trago alguma vida em mim. Ainda que sejam ratos, em mim respiram, e mantém viva em mim a memória dos peixes e flores que vi e sonhei no passado.


VVVVVVV

domingo, 28 de setembro de 2014

O Jardineiro

O JARDINEIRO
(Lel Amaro)



            Um jardineiro trabalhava cuidadosamente em seu jardim. Era um jardim enorme, com flores de todas as cores. O jardim era tão colorido que até os anjos vinham visitá-lo, e saiam felizes, encantados com seu elaborado perfume.
            Para manter o jardim saudável, todos os dias o jardineiro regava as plantas, adubava, retirava as pragas e as ervas daninhas. Nenhuma planta ficava sem seus cuidados.
            De vez em quando, uma ou outra planta crescia mais do que as outras, e esparramava suas folhas e flores sobre as plantas vizinhas. O jardineiro sabe que para viverem saudáveis, todas as plantas do seu jardim precisam receber a luz do sol. Então, com muito carinho, mas com decisão, o jardineiro poda os galhos que estão crescendo mais do que deveriam, e a planta que cobria as outras já não é tão grande.
            Todas as plantas amam o jardineiro, mas nem todas o entendem do mesmo modo. Algumas o chamam de Olorun, outras de Jeová. Há ainda aquelas que o chamam de Tupã, Oxalá, Brama, Zambi, Alá, e vários outros nomes.
            O jardineiro, independente de como é conhecido por cada uma, cuida de todas as plantas com o mesmo amor, e faz com que a luz do sol brilhe sobre todas elas, todos os dias. Assim, ele garante o equilíbrio das cores e o delicado perfume campestre, para que o jardim permaneça vivo e saudável. Este é o jardineiro, e nós conhecemos as plantas.

RRRRRRR

sábado, 27 de setembro de 2014

Quer um docinho?

QUER UM DOCINHO?
(Lel Amaro)



            Olha só, hoje é ao mesmo tempo, um dos dias mais doces e mais azedos do ano. Dia de Cosme e Damião. Doce porque as crianças que podem saem pelas ruas em busca de seus saquinhos abarrotados de guloseimas, para alegria dos dentistas e pediatras. Azedo porque as crianças de famílias protestantes são aterrorizadas com histórias sobre macumbas e demônios.
            Então, vamos tentar entender o que acontece. Como provavelmente esse texto vai gerar o famoso mimimi em algum lugar, serei breve e tentarei simplificar ao máximo, apenas para observar a atitude das pessoas.
            Quando eu era criança, odiava o dia de Cosme e Damião. Sendo de família evangélica, eu era proibido de comer doces por umas duas semanas a partir do dia 27 de setembro. Eu ouvia aquelas coisas todas, que os doces estavam encapetados, que foram oferecidos ao cramunhão, e ficava meio assustado. O pior é que eu era obrigado a estudar, e ficava quase babando olhando as outras crianças se lambuzando de doces. Curiosamente, assim como eu, essas crianças sobreviviam saudáveis até as férias de dezembro.
            Eu cresci e busquei estudar um pouco para entender o grande perigo desses doces. Procurei saber um pouco mais da história de Cosme e Damião, e vi que eram pessoas boas, que praticavam o amor. Vi também que a tradição de distribuir doces se popularizou a partir das religiões afrodescendentes, como a Umbanda e o Candomblé, onde Cosme e Damião são sincretizados com Ibeji.
            Aí a coisa começou a ficar às claras na minha cabeça. O problema dos saquinhos está na velha e retrógrada prática da intolerância religiosa. Essas religiões e suas entidades são demonizadas pelos protestantes, que afirmam fervorosamente que aqueles que distribuem os doces são adoradores de demônios. E digo mais: segundo os protestantes, basta comer um saquinho de doces e você estará trazendo maldição para sua vida.
            Péra lá, né? Alguma coisa está muito estranha nisso tudo. Vou dar um exemplo bastante simples para que todos entendam. Quem frequenta ou já frequentou igrejas protestantes provavelmente já viu as famosas campanhas, com sete dias disso e sete dias daquilo. Se você quer saber, muitos, e digo muitos mesmo, fazem as campanhas, jejuam, dão “oferta$ e$peciai$ semeando a vitória”, e não recebem a graça desejada.
               Agora vem me dizer que uma balinha vai bastar pra destruir a vida de alguém? Quem é mais forte, o Deus que recebe as orações nas campanhas, o jejum e as oferta$ e$peciai$, ou o Demônio que, segundo dizem, está debaixo dos pés dos fiéis e ainda consegue dar suas escapadelas pra lamber as balinhas? Diante de tanta eficácia, não seria conveniente então substituir as campanhas de sete dias por saquinhos de doces ungidos instantâneos?
            Conheço pessoas de várias religiões e convivo muito bem com elas, até porque religião não define caráter de ninguém. Vivemos em um país livre, onde temos o direito de acreditar na religião que estiver mais de acordo com a particularidade de cada um, e devemos ser respeitados como cidadãos livres. Antes de olhar, por exemplo, para um umbandista, que pratica o amor e o respeito ao próximo e à natureza, que valoriza os mais velhos e canta com brio a sua história e a história do seu povo, e dizer que ele é um adorador do demônio, seria mais sábio e mais elegante conhecê-lo, estudar sobre sua religião e entender a verdade que existe por trás do fanatismo.
            O que essas crianças protestantes passam, assim como eu passei um dia, é cruel demais. Um saquinho de doce para um adulto é pouca coisa, mas para uma criança é muito. Se sentir excluído machuca. Enquanto todos comem seus doces, pra essas crianças sobra o sabor amargo da exclusão. Principalmente para as pobres. Quando o dinheiro dava, eu ganhava algum doce para aliviar um pouco, mas nem sempre dava.         
           Acredito sinceramente que possa ter alguma boa intenção por parte de alguns protestantes, mas se é para ser assim, então que separem parte do dízimo que recolhem e comprem doces para suas crianças. Façam que elas se sintam amadas, e que não se sintam menores ou menos privilegiadas do que os coleguinhas de outras religiões. Se não querem os saquinhos com as imagens dos santos, façam saquinhos com desenhos infantis, sem dar espaço para ataques ridículos e preconceituosos aos outros. As crianças não são culpadas de suas conclusões religiosas, e esse preconceito todo, com o perdão do trocadilho, já encheu o saquinho. Ah, só pra não esquecer: macumba é uma árvore.


JJJJJJJ

domingo, 21 de setembro de 2014

Souvenir

SOUVENIR
(Lel Amaro)



            Eu vou morrer. Tem gente que se choca, fica com medo, mas isso é tão normal. Todo mundo morre. Tá certo que não é muito bom ficar imaginando último segundo de vida neste plano, mas pensando bem, a morte até que trás algumas vantagens no pacote. Pelo menos para mim e para quem mais acredita, a morte é o começo de uma nova realidade, sem os problemas do mundo aqui, dependendo de nossas escolhas.
            Enfim, vou cruzar a temida porta que separam os inconsequentes das consequências irremediáveis. Vou deixar pra trás esse mundo de manipuladores e manipulados, torturadores e torturados, senhores e escravos. Vou deixar esse mundo de extremos e mais extremos, extremamente bipolar. Um mundo seletivo, como uma linha industrial que separa o que está no padrão e descarta o resto. Vou deixar de ser refugo.
            Nesse momento, os gritos, ofensas, autoritarismo e arrogância dos que se acham grandes não serão nem mesmo a mais remota recordação. Isso para mim. Pra quem ficar, a vida transformará tudo em amargo remorso e vergonha. A sensação de que dominar os outros tomando como base o próprio umbigo não valeu de nada vai remoer as mentes constantemente, invadindo os pensamentos de dia e os sonhos à noite.
            Eu vou morrer, e você também vai. Todos nós vamos. Pode ser que eu vou morrer daqui a muitos anos, ou daqui a uma semana. Talvez eu morra hoje. Você nem sabe se vai viver até o final da leitura desse texto, e se sobreviver, significa que eu vivi a tempo de publicá-lo. A nossa vida é frágil, e quando menos se percebe, pode acabar. Não permitir que cada um viva a sua vida é egoísmo, e tem muita gente assim. E eu pergunto: o que você tem feito?
            Eu vou morrer e deixo um aviso de lambuja pra você. Se você gosta de transformar as pessoas ao seu redor em marionetes, eu recomendo que mude sua atitude, porque você é um babaca. As pessoas não te admiram como você pensa, e não fazem o que você quer por respeito. Na verdade, as pessoas te aturam, e obedecem por medo. Mas sabe de uma coisa? Assim como eu, essas pessoas vão morrer, e a nossa maior vingança será a lembrança que deixaremos de souvenir. Aguardaremos as flores regadas com suas lágrimas.


VVVVVVV

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Queda

QUEDA
(Lel Amaro)



Os dias escoam mais depressa.
Não tem tempo, não tem sabor.
O sol não me incomoda como antes.
Nos encontramos quando vou de um ponto a outro, e não trocamos palavras.
Entre quatro paredes, meus segredos não podem ser iluminados.

Prefiro o frio.
Silencioso ele entra sob meus cobertores e me desperta entre o bater de dentes.
O frio que me fere a pele fere menos do que o frio dos olhares.
Quando olhares me encontram,
Quando não sou transparente, intangível.

E quando o sol se põe ensaio algum conforto.
A luz da lua não me chama como antes.
Não tem estrelas nem nuvens nem vento.
Os pirilampos ainda cintilam o verde da esperança entre as vacas que ruminam.
E quando elas se cansam de seu chiclete improvisado, adormecem.

Acho que as vacas ainda sonham... Assim como os pirilampos.
Ainda que devorem suas carnes, elas não desistiram do leite.
Nem eles da luz.
Sei que eles ainda se acendem.
Vez ou outra, algum perdido invade o meu quarto e eu perco o sono em seu pisca-pisca.

E as noites escoam mais depressa.
Dias e noites cada vez menores.
Lembram a areia de uma ampulheta.
Vai acabar o tempo.
A noite, o dia, a dor...


SSSSSSS

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

CARTINHA AOS LEITORES

CARTINHA AOS LEITORES


            Queridos leitores do blog,
            Gostaria de me desculpar por estar um pouco ausente. São tempos difíceis para mim e eu estou procurando me dedicar ao meu emprego e outros assuntos particulares. Estou cheio de ideias e não vejo a hora de voltar ao blog com força total.
            Abraços carinhosos a todos!
            Att,
            Lel Amaro


LLLLLLL

domingo, 27 de julho de 2014

Quando eu morrer

QUANDO EU MORRER
(Lel Amaro)



            Quando eu morrer, não quero pessoas chorando em volta de mim. Fico assustado com a ideia de ter pessoas que hoje eu não vejo de perto e não ouço nem de longe em volta de mim, esfregando os narizes melados e tomando cafezinho com biscoitos. Quero apenas pessoas que tiveram vida comigo, comendo salgadinhos, docinhos, bebendo sucos e refrigerantes, e rindo bastante ao recordar bons momentos vividos.
            Quando eu morrer, não quero gritos de lamentos. Quero minhas músicas preferidas, dos melhores discos, ou ao vivo, embalando conversas leves e descontraídas. Quero aquele grupo de pessoas compartilhando violões e cervejinhas, sorrindo e recordando minha vida. Quero que toquem minhas músicas.
            Quando eu morrer, não quero ser colocado em nenhuma sepultura dessas feiosas, mal acabadas e de péssimo gosto. Nem quero ser enterrado no chão, com pás de terra em cima de mim. Quero um túmulo de boa aparência, que desperte a alegria da boa lembrança, e não a tristeza de seja lá o quê. Seria maravilhoso ficar em meu quintal...
            Quando eu morrer, não quero flores ao lado ou sobre meu corpo. Plantem flores ao lado de minha sepultura, e cuidem bem de meu último cantinho neste mundo, enquanto minha alma aguarda a restauração da minha carne. Deus me livre de acordar e me sentir em uma ruína abandonada!
            Quando eu morrer, não fiquem assustados. Morte não tem hora marcada com ninguém. Pode ser daqui a muitos anos, ou pode ser antes que você termine essa leitura. Ela simplesmente vem, e quem fica é que se vire. A vida é um presente, e permanecer na vida é uma conquista diária. E se tem que ser assim, então que sejamos criativos nesse momento, e façamos essa hora brilhantemente inesquecível, e que possamos aprender a agradecer a Deus pela oportunidade que temos de viver cada dia.
            Quando eu morrer, por favor, viva mais e melhor do que eu tiver vivido. Viva as festas, as músicas, as amizades, o quintal da sua casa e o perfume das flores. Viva intensamente, sem medo da morte. Viva sem se importar com as opiniões e julgamentos de quem pensa que tem direitos sobre você. No final, todos virarão pó, e pode ser que por ironia acabem por se misturar. Então, viva intensamente!  O resto é bobagem.


VVVVVVV

terça-feira, 15 de julho de 2014

Música

MÚSICA
(Lel Amaro)



            Quer saber de uma coisa que eu já perdi a conta é gente tentando definir música. São teorias, tratados e mais tratados intermináveis.
            Penso que a música é algo natural e divino, como as plantas, por exemplo. Muitos se tornam como botânicos musicais, e começam a estudar a fundo a música, buscando compreendê-la e aprimorá-la. Então começam a criar canteiros, cercas, limites e mais limites, e vemos inúmeros exemplares de música bonsai sendo expostas a ouvidos facilmente saciáveis por aí a fora.     Penso que quanto mais natural for a sensação causada pela música, mais saborosa ela será, como é saboroso comer uma fruta fresquinha colhida na hora. A música não deveria ser cercada de frescuras; a música deveria ser permitida como ela vem e quando ela vem de dentro de nós. O trabalho seria o de permitir que ela cresça, e não de freá-la.
            A boa música nasce no coração, cresce na mente e se torna capaz de cativar nossas almas. E existem músicas para todas as ocasiões. Quando nos lembramos de histórias tristes, por exemplo, a música tem o poder de fazer feridas cicatrizadas voltarem a sangrar.
            Essa música cutuca lá no miolo do peito e faz a gente sentir um aperto indescritível. Uma forma de emoção estranha entre a beleza e a tristeza. Sei lá... Melhor sentir do que tentar entender. Até porque essa mesma música pode trazer a esperança de que tudo pode melhorar, e enquanto tentamos decifrar o indecifrável, ficamos estagnados vendo o tempo passar. Um beija-flor não tenta decifrar a doçura. Ele apenas vive do néctar.
            A música brota como uma erva que se espalha tomando posse do ambiente e o enchendo de vida. Ela nos atrai como beija-flores em busca do alimento. É como a trombeta, entorpecente, alucinante e envolvente.

            Música é algo meio assim, meio assada, meio crua, deliciosa, quase intragável e maravilhosamente apaixonante. Está na natureza, na literatura e nas estrelas. Sim, ela está em todos os lugares, e não há como fugir de sua presença. Ainda que você esteja em completo silêncio, este silêncio teve um começo e provavelmente acabará. Até o silêncio é música! Não tente entender a música. Não ouse fugir da música. Apenas cante, dance e viva!

JJJJJJJ








sábado, 28 de junho de 2014

Breve consideração sobre a delicadeza dos torcedores.

Breve consideração sobre a delicadeza dos torcedores.
(Lel Amaro)



            Olha só, essa copa do mundo já encheu o meu saco muito mais do que eu imaginei, e ter que voltar ao tema abordado aqui é simplesmente desagradável demais.
            Bem, não pretendo entrar em discussões com fulano ou beltrano, até mesmo porque seriam muitos fulanos e beltranos, mas penso que torcer a favor ou contra a seleção brasileira é uma decisão de cada um e deve ser respeitada. Agora quando começam a aparecer ofensas e xingamentos, realmente, além de desnecessária, a coisa fica muito chata. Isso só vem mostrar mais uma vez o pessimamente baixo nível de delicadeza que existe entre grande parte do povo brasileiro, característica que se acentua entre os torcedores de futebol.
            Já postei outro texto onde falo sobre a falta de respeito mútuo nas redes sociais e não pretendo ficar me repetindo. Querem torcer pela seleção? Torçam! Querem torcer contra a seleção? Torçam! Mas respeito é bom, e ainda existe quem goste. Sem mais.


MMMMMMM

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Sonho estranho...


Sonho estranho...
(Lel Amaro)



            Essa noite eu tive um sonho estranho. Sonhei com muitos pintinhos espalhados longe da galinha. Alguns pintinhos já estavam mortos, alguns bastante quebrados, agonizando, e outros sobreviviam com o corpinho perfeito, porém desesperados longe da galinha.
            A quantidade de pintinhos era uma coisa assombrosa. Então, eu e mais algumas pessoas decidimos colocar os pintinhos em um lugar seguro. Encontramos a galinha mãe e levamos para esse local protegido e começamos a resgatar os bichinhos.
            Alguns foram recebidos pela galinha normalmente, como é comum das galinhas ajuntarem suas crias próximas à proteção de suas penas. Então, o sonho começou a ficar muito mais estranho.
            Encontramos um pintinho realmente diferente de todos os outros. Ele era, na verdade, um filhotinho de lobo, lindinho, como um cachorrinho. Ficamos meio curiosos, mas ao entregá-lo à galinha, ela o tratou como se fosse o seu mais precioso filhote, o cercando de carinho e todos os cuidados possíveis.
            Sem tempo para comentários, voltamos ao resgate, pois a quantidade de pintinhos espalhados ainda era absurda. E a partir daquele momento, a galinha mudou completamente.
            Levei um pintinho machucado e entreguei à cuidadosa mamãe, mas ela começou a bater no pobrezinho. Os outros pintinhos pediam para que ela não fizesse aquilo, mas ela continuava agredindo a pobre criaturinha – é gente, os pintinhos falavam; coisa de sonho.
            Então eu acordei e fiquei com esse sonho na cabeça, e como é de meu costume, busquei entendê-lo.
            Bem, a única coisa que eu consigo associar essa galinha é a igreja. Vamos pensar comigo? Assim como a galinha é vista como uma boa mãe, que cuida dos pintinhos e os protege contra ameaças, igreja deveria ser um lugar de socorro para os abatidos, cansados, e é essa a mensagem que ouvimos dessa instituição. Mas isso é a mensagem.
            Muitos estão espalhados por aí, frágeis como pintinhos, desorientados e desprotegidos, e são levados para alguma igreja, convencidos pelo argumento de que a vida será melhor, de que não estarão mais sozinhos, e principalmente aquela história mais cruel de todas, que diz que eles serão amados.
            Ao chegar na igreja, à primeira vista, tudo parece verdade, e então o novo no ninho começa a ouvir frases feitas, de que estarão com ele para  que der e vier, de que caminharão e crescerão juntos.
            Com o passar do tempo, começam a aparecer os lobos infiltrados no ninho, protegidos pela mãe igreja, que inesperadamente, começa a distribuir pancadas de cima do altar. Mensagens que machucam, e não confortam. E ainda tem os lobos que estão sob os cuidados da igreja como se fossem de dentro, mas que estão por aí fazendo uma desgraça no meio do povo.
            A galinha do sonho deveria se lembrar de que as pessoas que estavam cuidando dela percebiam todas as coisas terríveis que ela fazia. Do mesmo modo, está na hora da igreja se lembrar que o criador está olhando tudo isso com tristeza, desejando que o amor volte a ser uma realidade, e que a igreja volte a ser igreja!
            Até quando a igreja vai maltratar seus membros mais frágeis, enquanto cerca de cuidados membros escolhidos e lobos infiltrados? Até quando a igreja prosseguirá seletiva, dizendo de si mesma quem é de dentro e quem não é?
            Em um galinheiro podem ter muitas galinhas, mas quem manda é o dono do galinheiro. Sem mais...

VVVVVVV

terça-feira, 24 de junho de 2014

Fé Cega

FÉ CEGA
(Lel Amaro)



            Você, meu querido irmão, que está passando por uma dificuldade financeira, você que está desempregado, com suas contas atrasadas, com a dispensa vazia, sem saber o que fazer, não se desespere! Tome uma atitude de fé! Liberte-se! Abra a sua boca e declare para o inferno ouvir: ‘EU NÃO SOU POBRE’!!! Toma posse dessa palavra em sua vida! Só não se esqueça de dar os dízimos e as ofertas!
            Você, meu querido irmão, que está passando por enfermidade, tomando meia dúzia de comprimidos por dia, gastando o seu salário em remédios e mesmo assim sentindo dores, e não sabe mais o que fazer, não se desespere! Tome uma atitude de fé! Liberte-se! Abra a sua boca e declare para o inferno ouvir: ‘EU TENHO A SAÚDE PERFEITA’!!! Toma posse dessa palavra em sua vida! Só não se esqueça de se maquiar bem na hora do testemunho!
            Você que é motivo de piada entre seus amigos e colegas de trabalho, chamada de jaburu, manga chupada, coruja ao avesso, resto de oferenda, franga depenada ou coisa mais horrenda, que faz regime, chapinha, maquiagem e até simpatia, e ainda assim continua rachando espelhos e não sabe mais o que fazer, não se desespere! Tome uma atitude de fé! Liberte-se! Abra a sua boca e declare para o inferno ouvir: ‘SOU LINDA, DEUS DESENHOU MEUS CABELOS’!!! Toma posse dessa palavra em sua vida! Só não se esquece de colocar suas fotos mais ousadas nas redes sociais!
            Você que teve um problema com aquele irmão que mentiu pra você, te deu cheque sem fundo, passou a mão na sua mulher e você sente vontade de matá-lo, sem saber o que fazer para controlar seu ódio mortal, não se desespere! Tome uma atitude de fé! Liberte-se! Abra a sua boca e declare para o inferno ouvir: ‘EU AMO ESSE QUERIDO IRMÃO’!!! Toma posse dessa palavra em sua vida! São não esquece de abraçar seu irmão carinhosamente no culto de domingo!
            Você que depois de tudo isso que eu te disse ainda não tomou uma atitude, está raciocinando, pensando nas possíveis consequências futuras, imaginando que tudo ainda pode piorar, e está prestes a voltar atrás porque está morrendo de medo, não se desespere! Tome uma atitude de fé! Liberte-se! Abra a sua boca e declare para o inferno ouvir: ‘EU NÃO TENHO MEDO’!!! Toma posse dessa palavra em sua vida! Só não esquece que mentira é pecado! Dá glória aí!!!


VVVVVVV

terça-feira, 10 de junho de 2014

As Putas

AS PUTAS
(Lel Amaro)



            Tupã paquerava a Terra. Então ele desceu no céu e plantou sua semente. A semente de Tupã foi crescendo tanto, que ficou esparramada sobre o colo da mãe Terra. Então, Tupã deu a sua filha o nome de Mata.
            Durante sua infância, Mata era uma menina de ouro, e dava frutos dos mais diversos tipos, além de abrigar e proteger os pequenos animais. Era o orgulho de Tupã e Terra. Mas o tempo foi passando e Mata estava chegando na idade de namorar, o que preocupava muito seu pai.
            Quando Mata era adolescente, já quase adulta, chegaram uns marinheiros pelo seu tio Mar, e começaram a olhar para suas curvas de forma maliciosa. Tupã ficou muito preocupado, e enviou guardiões tupiniquins para defender sua filha, visto que já estava sendo seduzida. Os marinheiros, porém, eram muito traiçoeiros; engabelaram os guardiões e estupraram a Mata, que até aquele dia era virgem.
            Foi uma tristeza enorme para Tupã, que chorou muitíssimo. Depois desse dia, Mata nunca mais foi a mesma. Perdeu a virgindade, e a sua razão de ser. Começou a dar para qualquer um que seu tio Mar trouxesse a ela. Deu para os portugueses, para os espanhóis e quando Tupã se deu por conta, sua filha já estava dando para o mundo inteiro.
            Tupã, depois de muito se lamentar, criou coragem, venceu a vergonha, e foi conversar com Terra, procurando saber por que ela se manteve em silêncio, sem nada fazer, enquanto sua filha era usada e descartada pelas pessoas forasteiras. Qual foi a surpresa de Tupã quando viu que Terra também seguiu pelo mesmo destino que Mata, e também já tinha dado para todo mundo.
            Terra não tinha mais as joias que ganhou de Tupã, nada de ouro, diamantes... Estava literalmente arrombada, sendo desrespeitada. Em alguns lugares era chamada até mesmo de Serra Pelada.
            O governo, que tem suas raízes em outros continentes, trepou na terra, e está fodendo com ela até hoje, mas procura manter uma boa maquiagem, na Terra e em sua filha Mata, a fim de atrair pessoas de todo o mundo para tentar mostrar que são putas de alto nível. E a agenda é movimentada, com muitas visitas em junho de 2014, por exemplo.
            Pobre Tupã... Ele até tentou se reaproximar de Terra muitas vezes, fazendo o seu papel de esposo, mas seus esforços foram em vão. Seus últimos guardiões foram enfraquecidos, e muitos nem se parecem mais com aqueles que existiram no início. E agora, a puta terra, tem que manter suas últimas forças para sustentar seus filhos. E nós temos a obrigação de cuidar bem de nossa velha mãe. Nós somos todos filhos da Terra, de uma forma ou outra.


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quinta-feira, 1 de maio de 2014

20 anos

20 ANOS
(Lel Amaro)



            Quando eu era pequeno, eu adorava Fórmula 1. Adorava quando ganhava algum carrinho de brinquedo, e até bolo de aniversário com pista de Fórmula 1 eu tive. Mas eu não via simplesmente Fórmula 1. Naquela época, a gente ligava a televisão para ver o Ayrton Senna.
            A gente esperava chegar o domingo para ouvir de novo o Tema da Vitória e vibrar com o Senna no lugar mais alto levantando o troféu. Mas aquele fim de semana estava diferente.
            Como alguns costumam dizer, a bruxa estava solta. Os acidentes recentes e seus resultados já tinham mostrado a todos nós que não se tratava de uma corrida normal. Mas ele estava lá, na primeira posição, e o Brasil aguardava pra comemorar mais uma vitória.
            Não foi assim. Em vez da alegria, o que eu senti foi um aperto no peito, um nó na garganta e um peso estranho no estômago. A minha esperança estava naquele movimento de cabeça, mas cada minuto daquele socorro parecia uma eternidade, e ninguém queria mais saber de corrida.
            Mas a corrida seguiu em frente. Os vencedores, que eu nem me lembro quem foram, receberam seus troféus sorrindo, e o Brasil disse adeus, chorando.
            E hoje, 20 anos depois, ao ver as imagens daquele dia, o aperto no peito, o nó na garganta e o peso no estômago ainda são os mesmos, mas a Fórmula 1 nunca mais foi a mesma, e jamais será. Ayrton Senna do Brasil foi embora, mas permanece vivo em nossa memória.


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