QUEDA
(Lel Amaro)
Os dias escoam
mais depressa.
Não tem tempo,
não tem sabor.
O sol não me
incomoda como antes.
Nos encontramos
quando vou de um ponto a outro, e não trocamos palavras.
Entre quatro
paredes, meus segredos não podem ser iluminados.
Prefiro o frio.
Silencioso ele
entra sob meus cobertores e me desperta entre o bater de dentes.
O frio que me
fere a pele fere menos do que o frio dos olhares.
Quando olhares
me encontram,
Quando não sou
transparente, intangível.
E quando o sol
se põe ensaio algum conforto.
A luz da lua não
me chama como antes.
Não tem estrelas
nem nuvens nem vento.
Os pirilampos
ainda cintilam o verde da esperança entre as vacas que ruminam.
E quando elas se
cansam de seu chiclete improvisado, adormecem.
Acho que as
vacas ainda sonham... Assim como os pirilampos.
Ainda que
devorem suas carnes, elas não desistiram do leite.
Nem eles da luz.
Sei que eles
ainda se acendem.
Vez ou outra,
algum perdido invade o meu quarto e eu perco o sono em seu pisca-pisca.
E as noites
escoam mais depressa.
Dias e noites
cada vez menores.
Lembram a areia
de uma ampulheta.
Vai acabar o
tempo.
A noite, o dia,
a dor...
SSSSSSS

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