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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Queda

QUEDA
(Lel Amaro)



Os dias escoam mais depressa.
Não tem tempo, não tem sabor.
O sol não me incomoda como antes.
Nos encontramos quando vou de um ponto a outro, e não trocamos palavras.
Entre quatro paredes, meus segredos não podem ser iluminados.

Prefiro o frio.
Silencioso ele entra sob meus cobertores e me desperta entre o bater de dentes.
O frio que me fere a pele fere menos do que o frio dos olhares.
Quando olhares me encontram,
Quando não sou transparente, intangível.

E quando o sol se põe ensaio algum conforto.
A luz da lua não me chama como antes.
Não tem estrelas nem nuvens nem vento.
Os pirilampos ainda cintilam o verde da esperança entre as vacas que ruminam.
E quando elas se cansam de seu chiclete improvisado, adormecem.

Acho que as vacas ainda sonham... Assim como os pirilampos.
Ainda que devorem suas carnes, elas não desistiram do leite.
Nem eles da luz.
Sei que eles ainda se acendem.
Vez ou outra, algum perdido invade o meu quarto e eu perco o sono em seu pisca-pisca.

E as noites escoam mais depressa.
Dias e noites cada vez menores.
Lembram a areia de uma ampulheta.
Vai acabar o tempo.
A noite, o dia, a dor...


SSSSSSS

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