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quinta-feira, 1 de maio de 2014

20 anos

20 ANOS
(Lel Amaro)



            Quando eu era pequeno, eu adorava Fórmula 1. Adorava quando ganhava algum carrinho de brinquedo, e até bolo de aniversário com pista de Fórmula 1 eu tive. Mas eu não via simplesmente Fórmula 1. Naquela época, a gente ligava a televisão para ver o Ayrton Senna.
            A gente esperava chegar o domingo para ouvir de novo o Tema da Vitória e vibrar com o Senna no lugar mais alto levantando o troféu. Mas aquele fim de semana estava diferente.
            Como alguns costumam dizer, a bruxa estava solta. Os acidentes recentes e seus resultados já tinham mostrado a todos nós que não se tratava de uma corrida normal. Mas ele estava lá, na primeira posição, e o Brasil aguardava pra comemorar mais uma vitória.
            Não foi assim. Em vez da alegria, o que eu senti foi um aperto no peito, um nó na garganta e um peso estranho no estômago. A minha esperança estava naquele movimento de cabeça, mas cada minuto daquele socorro parecia uma eternidade, e ninguém queria mais saber de corrida.
            Mas a corrida seguiu em frente. Os vencedores, que eu nem me lembro quem foram, receberam seus troféus sorrindo, e o Brasil disse adeus, chorando.
            E hoje, 20 anos depois, ao ver as imagens daquele dia, o aperto no peito, o nó na garganta e o peso no estômago ainda são os mesmos, mas a Fórmula 1 nunca mais foi a mesma, e jamais será. Ayrton Senna do Brasil foi embora, mas permanece vivo em nossa memória.


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