20 ANOS
(Lel Amaro)
Quando eu era pequeno, eu adorava
Fórmula 1. Adorava quando ganhava algum carrinho de brinquedo, e até bolo de
aniversário com pista de Fórmula 1 eu tive. Mas eu não via simplesmente Fórmula
1. Naquela época, a gente ligava a televisão para ver o Ayrton Senna.
A gente esperava chegar o domingo
para ouvir de novo o Tema da Vitória e vibrar com o Senna no lugar mais alto
levantando o troféu. Mas aquele fim de semana estava diferente.
Como alguns costumam dizer, a bruxa
estava solta. Os acidentes recentes e seus resultados já tinham mostrado a
todos nós que não se tratava de uma corrida normal. Mas ele estava lá, na
primeira posição, e o Brasil aguardava pra comemorar mais uma vitória.
Não foi assim. Em vez da alegria, o
que eu senti foi um aperto no peito, um nó na garganta e um peso estranho no
estômago. A minha esperança estava naquele movimento de cabeça, mas cada minuto
daquele socorro parecia uma eternidade, e ninguém queria mais saber de corrida.
Mas a corrida seguiu em frente. Os
vencedores, que eu nem me lembro quem foram, receberam seus troféus sorrindo, e
o Brasil disse adeus, chorando.
E hoje, 20 anos depois, ao ver as
imagens daquele dia, o aperto no peito, o nó na garganta e o peso no estômago
ainda são os mesmos, mas a Fórmula 1 nunca mais foi a mesma, e jamais será.
Ayrton Senna do Brasil foi embora, mas permanece vivo em nossa memória.
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