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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Onde estará o meu amor?

ONDE ESTARÁ O MEU AMOR?
(Lel Amaro)


            Olha só, acredito que a dúvida que eu abordo possa ser a dúvida de muitos outros que estão por aí, mas que diante dos esmagadores desvios comportamentais e distorções de valores da sociedade atual, se sentem espremidos em um canto sombrio, onde fica a saudade de um tempo que não pudemos vivenciar. Apenas escutamos ecoar a pergunta vinda de bocas chorosas que calam, mas não querem calar: onde estará o meu amor?
            Essa pergunta já foi cantada por uma grande baiana, em versos anotados por um notável compositor paraibano, e permanece sem respostas. Ninguém sabe, mas muita gente já viu e já sentiu.
            O amor é lindo! As pessoas suspiravam dizendo essa máxima, assistindo peças românticas nos teatros, escrevendo cartas em papéis bonitos decorados, preparando serenatas sob o risco de receber um balde de água fria na cabeça... Foi um tempo que cercas eram puladas, mas para encontrar aquela menina superprotegida pelo pai, ou para um encontro em uma tarde bonita, sob uma frondosa árvore à beira de um lago cristalino.
            Num tempo onde existia muito ódio e preconceitos declarados, o amor sobrevivia à duras penas, mas sobrevivia e era real! Se alguém dizia amar outro alguém, é porque amava mesmo, e fim de papo!
            E o amor que era lindo nos livros, começou a ser cantado nas rádios, gravado em discos de 78 rotações por minuto, daqueles de goma laca, chegou às telas e preto e branco das televisões de tubo, daquelas que a imagem começava a despencar logo na hora do beijo final e deixava as mocinhas histéricas. Nesse mesmo tempo, com escorregadas tímidas e maliciosas, o amor também começou a despencar.
            Desonestamente, o ódio, que era repelido, começou a ganhar espaço nas radionovelas, nas telenovelas, no cinema e até nos livros. As armações começaram a ser trabalhadas, porque mostrava a luta do bem contra o mal, e blá blá blá... E foi assim que o mal foi ficando cada vez mais íntimo das famílias de bem como algo suportável de se ver, e até divertido de se ler ou assistir. Tornou-se até mesmo inspirador. E o amor, coitado, desapercebidamente, era marginalizado.
            Outrora cantava-se “eu sempre vou te amar”, “tu és divina e graciosa”, elogiavam-se os olhos, os sorrisos, e quando o povo se deu conta, chegamos nos anos 90. Aí a coisa já estava encaminhada para o fim. O bonito não é mais a conquista, mas quem pega mais, beija mais, usa mais e se torna popular por ser superficial. E nessa moda de peitos, bundas e pintos revelados, o amor se torna brega, démodé, antiquado, careta, e tantos quantos forem os adjetivos negativos e pejorativos que a sociedade dita descolada e vida louca quiser dar ao sentimento mais nobre, que eu quero muito acreditar que ainda tenha forças para existir.
            Não é porque eu estou partindo do ponto de vida artístico que tudo isso é apenas fantasia. A arte e a vida real se refletem e se misturam, e nada é completamente dissociado. Tudo isso mostra como tem sido as atitudes das pessoas umas com as outras principalmente da década de 90 para cá! O amor foi reduzido ao nível banalizado de uma mera expressão de efeito, e olhe lá! As pessoas fazem promessas mentirosas em nome de um falso amor e em poucos meses, senão dias, dão uma banana para o parceiro ou parceira, sem o mínimo de respeito e consideração com o sentimento alheio.
            Com sentimento não se brinca. Coração não é brinquedo. As pessoas deveriam se dar conta de que atitudes ruins são cadeados fortíssimos, capazes de trancar corações magoados. Aqueles que ainda buscam sustentar a esperança de viver um amor real, encontram corações trancados e feridos, e acabam por serem bloqueados pela frieza e desconfiança. E então voltamos à nossa pergunta, lá do início: onde estará o nosso amor, se é que ele ainda existe e sobrevive?
            O amor ainda existe sim, e sobrevive enjaulado, com ânsias de viver em liberdade e reinar novamente entre corações, olhos e sorrisos sinceros. Ele grita em cada olhar solitário implorando por espaço, mas é abafado pelo medo das experiências sofridas com atitudes ruins de pessoas vazias e inconsequentes.
            Eu acredito que o amor é forte o bastante para quebrar os cadeados de medo e decepção, e abrir os corações que estão trancados na escuridão para um horizonte bonito, suave e livre de amarras. O amor não é vulgar, não é brega, nem démodé. O amor continua lindo, continua vivo, e está esperando e procurando quem o queira. Todos nós podemos amar. O amor está bem aqui. Chega de perder tempo com molecagem, pelo amor de Deus...


VVVVVVV

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