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Aqui no blog você pode conhecer um pouco dos meus textos, minhas opiniões, minhas preferências... Boa leitura!

segunda-feira, 6 de junho de 2016

MIRANTE

MIRANTE
                                        (Lel Amaro)



Sobre a orla branca levemente iluminada
Pelo crepúsculo entre nuvens ensolarado
Solitária permanece, pobre desgraçada
A firme rocha em frente ao mar agitado

Sonhando, sozinha, ela observa as ondas
Algumas a tocam, e sua superfície molhada
Em vão procura reter suas águas
Mas nasceu pedra, somente para ser pisada

As ondas sempre virão ferir a rocha triste
Voltarão ao mar, deixando-a ignorada
Sufocada por tudo o que ao redor existe

Pobre mirante sonhadora pelos amantes pisada
Ainda espera que venha na manhã seguinte
Uma gota de felicidade, na luz da alvorada


LLLLLLL

terça-feira, 22 de março de 2016

Intrometida

INTROMETIDA
(Lel Amaro)



            Não me permito mais ficar triste. Evito a possibilidade ruim, e se ela chega, combato. Mudo o foco, escrevo um texto, desenho, componho músicas e como o que der vontade e o bolso permitir.
            Deixo de lado os padrões; eles são altamente depressivos. Faço as pazes com o espelho todos os dias, logo pela manhã, e saio para o trabalho com os tampões de ouvido que neutralizam as palavras negativas. Luto constantemente contra o abuso de palavras, e também contra a economia.
            Se no fim do dia ainda percebo um vulto de tristeza tentando me ameaçar, aceito o convite de Morfeu e vou para o mundo onde eu posso fazer o que eu quiser. Nesse mundo eu não sou preso ao chão. Basta dar um impulso e sentir o vento beijando a minha pele.
            A tristeza fica pra trás. Voo para as montanhas, de onde vejo como o mundo é grande, e mesmo assim, é apenas um pedacinho do universo, e como a tristeza que me ameaça é pequena diante da imensidão de motivos para ser feliz. Então, eu respiro aliviado, e descanso, porque voar cansa um bocado...
            Mas sabe? Vou te confessar uma coisa: às vezes a tristeza fica um pouquinho aqui perto de mim, mas é sem a minha permissão. Ela é muito intrometida. Mas rapidinho ela desiste e vai embora, e se não desiste, eu a expulso. Ela não desiste, e eu também não.


LLKKJJJ

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Laico?

LAICO?
(Lel Amaro)



            Olha só, dia desses eu estava navegando nas redes sociais quando me deparei com uma notícia tão boba e tão ridícula que cheguei a pensar que era uma mentirinha apenas para zoação. Só que aquilo ficou na minha cabeça e eu fui pesquisar se tinha mais alguma matéria publicada sobre o mesmo caso, e pasmem, é verdade: evangélicos estão querendo conseguir na justiça a retirada de uma estátua de Iemanjá do Rio São Francisco! E não é só isso não! Também querem a retirada de outra estátua, o Nego D’água!
            Parece boato, mas é sério, infelizmente. A justificativa para tal ato, segundo o que foi publicado, é o fato de que o rio São Francisco pertence à União, e sendo o Brasil teoricamente um país laico, as estátuas religiosas seriam inadequadas.
            Pois bem, depois de toda essa enxurrada, ficam algumas dúvidas pairando sobre nossas cabeças. Vamos pensar um pouco?
            O Brasil é um país enorme, e se você não sabe, há muitos monumentos religiosos em diversas cidades brasileiras. Vou dar alguns exemplos e você pesquisa os detalhes depois.
ü  Cristo Redentor – Rio de Janeiro, RJ;
ü  Santa Rita de Cássia – Santa Cruz, RN;
ü  Padre Cícero – Juazeiro do Norte, CE;
ü  São Francisco das Chagas – Canindé, CE;
ü  Estátuas de oito orixás no Dique do Tororó – Salvador, BA.
            Agora que você já conhece alguns monumentos religiosos do Brasil, pensa comigo: todos eles serão demolidos ou removidos por sermos um país laico? Será que vão arrancar o Cristo Redentor do Corcovado? Ou será que a implicância é só com Iemanjá? Hummm... Acho que agora chegamos ao ponto.
            Não é novidade para ninguém a forma pejorativa e desrespeitosa como muitos evangélicos se referem à Umbanda e às religiões de matriz africana. Há pouco tempo vimos um caso deprimente de barbárie, preconceito, discriminação, intolerância religiosa e violência por parte de alguns evangélicos que agrediram uma menina com pedradas quando a mesma saia de um terreiro de Candomblé com sua avó. Nem vou contabilizar aqui os casos de invasões a templos e quebra-quebra de imagens sacras porque todo mundo já sabe disso tudo.
            De repente, nos vemos diante de um novo caso de intolerância religiosa, mas por outros meios. Agora, em vez de pedras, são papeis! Querem formalizar na justiça o preconceito e discriminação alegando, como foi dito, que o rio é público.
            Querido leitor, vamos analisar uma contradição. Eu cresci na igreja evangélica e vi por diversas vezes os chamados eventos ao ar livre. Você sabe o que é isso? Simples! Os evangélicos fazem suas reuniões religiosas em praças públicas ou até mesmo na rua! Eu mesmo já participei de eventos assim. Mas pode isso? A rua não é pública? O Brasil é um país laico, lembra? O que pode pra uma religião não pode pra outras? Recentemente foi divulgado o vídeo de um pregador relatando como incentivou os membros de sua igreja a invadirem um evento de outra religião em local público para impedirem tudo, inclusive se referindo às entidades como demônios. É... Tá feio isso...
            Fato é fato. Enquanto algumas igrejas fazem eventos em locais públicos, às vezes com muito barulho causando incômodo aos adeptos de outras religiões, Iemanjá está lá quietinha, sem atrapalhar a absolutamente ninguém. Não tem cabimento mexer com quem está quieto.
            Sabe o que eu acho? Tem muitos outros motivos que realmente merecem preocupação, como a fome, a pobreza, os maus tratos aos animais, a violência, enfim, a falta de amor. Quem ama promove a paz, a união e o respeito.
            Pra finalizar esse texto com um pouco de alegria, quero dizer a você que existe esperança. Há dias vi outra notícia que me deixou contente: a união de evangélicos, católicos e umbandistas praticando o amor! Isso é lindo! Isso vale a pena!
            Que Deus nos abençoe, que possamos aprender a amar como diz a oração de São Francisco, e que Iemanjá leve para o fundo das águas toda maldade, preconceito e intolerância religiosa. Paz!




OOOOOOO

sábado, 7 de novembro de 2015

A Chuva

A CHUVA
(Lel Amaro)



            Fazia muito tempo que não se viam, e aquele reencontro não planejado foi uma surpresa muito agradável. Perguntaram sobre coisas normais, como família, trabalho e o Flamengo. Lembraram do tempo de escola e dos amigos de infância.
            Então, antes de seguir viagem de volta pra casa, decidiu esperar uns minutos para aproveitar uma boa cerveja gelada e jogar uma conversa fora. Pediram também alguns petiscos pra acompanhar, e foi esse o motivo do atraso, e de uma boa bronca ao funcionário do bar que deixou faltar o tira gosto.
            Enfim, beberam e comeram, e a hora se adiantava um pouco quando decidiu que deveria partir. O céu, que parecia discordar, ficou escuro e se fechou em nuvens pesadas.
            Buscaram abrigo em uma cabana quando pingos grossos começaram a cair, amolecendo o barro do chão e formando uma lama grossa e pegajosa. Os trovões, então, ficaram mais fortes e o vento assobiava pelos buracos das paredes, e decidiram ir para a casa do amigo, onde era mais seguro. A chuva, porém, aumentava a cada instante, e os dois chegaram completamente encharcados.
            Hospitaleiro como um bom rapaz do interior, preparou a tina com água quente para um banho relaxante, visto que faltava energia para o banho no chuveiro. Enquanto o visitante se banhava na tina, providenciou roupas secas e um chá quente para evitar o resfriado. Suas faces ficaram rosadas quando ao entregar a roupa, o bom amigo viu o corpo que tentava se esconder na água, e disfarçando o embaraço, riram da situação.
            Evitando mais embaraços, o dono da casa foi depressa preparar a lareira, quando o amigo chegou e observou a velha vitrola que estava sobre um móvel antigo de madeira entalhada, em um canto da sala de estar, e sugeriu um disco da época da infância. E quando a agulha tocou os sulcos empoeirados do vinil, todos os pudores sumiram. Ali eles riram tudo o que tinham de rir, dançaram, recordaram histórias, comeram e beberam. Beberam tanto, que nem conseguiam mais dançar, e adormeceram no sofá, em frente à lareira, no calor da amizade.
            Amanheceram os dois, e estranharam ao se perceberem juntos no sofá, e nesse novo embaraço, levantaram, mas a dor de cabeça pedia algum remédio e não puderam evitar o diálogo.
            Tomaram um café, e verificaram que a roupa estava quase seca. Então, o viajante decidiu seguir seu caminho, que era longo. E sentiu um aperto no peito ao olhar os olhos do amigo, e um nó segurava o adeus em sua garganta. Tudo o que viveram naquela noite reacendeu uma chama intensa em seus corações, e era tão gostoso o que sentiam.
            O dono da casa, que ia abrir a porta, segurou a maçaneta por um minuto, e com o rosto inclinado na tentativa de esconder os olhos, fez um pedido embargado, em uma única palavra:
            -Fica!
            E ele ficou. E nunca mais foi embora.


SSSSSSS

sábado, 31 de outubro de 2015

Tristeza

TRISTEZA
                         (Lel Amaro)


Aconteceu e eu fiquei triste
Parecia que tudo estava acabado
Então parei
Refleti
A vida continua
E virão novos dias
Ganharei novas ideias
Construirei novas oportunidades
E eu não me permiti continuar triste
Aí o tempo passou
A tristeza desistiu
Foi embora


J

Halloween

HALLOWEEN
(Lel Amaro)



            Olha só, você acha que o Dia das Bruxas é bobagem? Você acha que o Halloween é só um monte de historinhas pra assustar criancinhas? Você não acredita em assombração?
            Hoje é o Dia das Bruxas, o chamado Halloween. Dia que as criancinhas saem fantasiadas de zumbis, fantasmas e ETs. Sabe por quê? Porque isso é mesmo coisa de criancinha! Ninguém vai ver um monte de zumbis dançando no meio da rua, nenhum fantasma verde fazendo lanche na cozinha ou ETs fazendo arte moderna no milharal. Isso é para amadores! Sabe o que assusta? Sabe o que quer pegar todo mundo? Vou te dar sete exemplos.
            Número 1- Violência. É assustador sair na rua e não ter certeza se voltará pra casa, se será agredido por algum maluco na esquina. Sem falar em outras formas de violência, como o assédio sexual, assédio moral, bullying... É um terror.
            Número 2- Racismo. Não estou falando só do preconceito e discriminação racial contra os negros não. Isso é muito mais amplo, ok? Ou será que só eu já conheci ou vi negros racistas? Vamos ampliar a visão né?
            Número 3- Arrastões. Todo mundo viu o caso do arrastão na praia no Rio de Janeiro, né? Assustador.
            Número 4- Intolerância religiosa. Além de assustador, é ridículo! Coisas do tipo: “Todo pastor é ladrão!” “Todo padre é pedófilo!” “Chuta que é macumba!”... Uma pessoa que agride ou zomba de outra pessoa por causa de sua religião em pleno 2015 pode ficar tranquila que nenhum zumbi vai atacá-la. Zumbis querem cérebro.
            Número 5- Homofobia. Agredir, ridicularizar, ofender, excluir ou difamar um ser humano que tem sentimentos como qualquer outro apenas por sua orientação sexual é muito assustador. Pior ainda, é cruel.
            Número 6- Nudes horríveis nas redes sociais. Tipo assim, mini enfarte, vontade de vomitar, de levar o celular para uma sessão de descarrego, jogar na água benta, usar colar de alho, bater na madeira, ... Enfim, assustador.
            E por último, mas não menos demoníacas...
            Número 7- As terríveis estrelas vermelhas que sugam dinheiro e afundam o Brasil na lama. Nem precisa explicar, né? Até porque se você por acaso não entendeu esse item, acho que em vez de cérebro você está estocando vento na sua cabecinha.

            E isso tudo não é só no Halloween não; é o ano inteiro! Halloween é apenas um dia em que as pessoas pensam que os monstros são aqueles que assustam criancinhas... Os monstros não são fantasias que você tira e joga no armário. Os monstros são bem reais. E não adianta agora desistir do Halloween e dizer que é o Dia do Saci, porque isso é cultura brasileira! Esquece o saci e valoriza o que vem de fora! Não sai do plano!!!

NNNNNNN

            Observação: O texto está um pouco diferente do que o de costume porque era pra ser o primeiro vídeo do blog, mas infelizmente, não deu.


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Ih, esqueci!!!

IH, ESQUECI!!!
(Lel Amaro)


            Gente, esse ano está uma coisa tão maluca que eu me esqueci de uma coisa muito importante: ontem, dia 27 de outubro de 2015, o blog completou dois aninhos!!! Obrigado a você leitor que visita o blog! Aproveito para convidá-lo para me seguir nas redes sociais! Estou deixando aqui para vocês!

            Facebook: https://www.facebook.com/blogdolel/?fref=ts
            Twitter: @LelAmaro
            Instagram: @lel_amaro
            Snapchat: lel_amaro

            Aguardo por vocês! O snapchat ainda está um pouquinho devagar porque ainda estou começando, mas quando der eu apareço! Obrigado pela visita no blog, e até o próximo texto!



JJJJJJJ

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Humanos! Simples assim!

HUMANOS! SIMPLES ASSIM!
(Lel Amaro)


            Olha só, vou confessar uma coisa pra vocês: estou ficando de saco cheio desse cabo de guerra entre gays e religiosos. Vou usar a palavra ‘religiosos’ pra evitar o mimimi. Aliás, outras guerrinhas também me incomodam, mas essa especificamente está bastante evidente atualmente.
            Gente, eu fico meio apavorado com essas pessoas que ficam bufando e agredindo com ofensas, muitas vezes graves, toda e qualquer pessoa que tenha um pensamento que vá contra a opinião pessoal de um grupo. Pior ainda quando o agressor que baba ódio pela gravata procura se camuflar em uma aparência de defensor da moral e do amor.
            Tem um paradoxo piscando nas telinhas da TV e em muitos templos religiosos. A impressão que alguns líderes religiosos me causam quando os vejo na TV é a de que vão pular da tela e sair distribuindo pancada pra quem estiver no caminho. Sou o único que sentiu isso? Vou te dizer que eu até acho graça de vez em quando...
            A coisa é ainda mais cruel fora dos templos e por trás das câmeras. Existem lugares que são extremamente agressivos para homossexuais. Os gays, lésbicas e bissexuais já lidam com agressões verbais, físicas e psicológicas, vindas de religiosos ou não, nas ruas, clubes, academias, escolas, empresas e por aí vai. Muitos vivem em uma verdadeira amostra grátis do inferno dentro da própria casa, sendo agredidos por suas próprias famílias.
            Agora eu vou te contar um segredinho: depois de tomar muita porrada da vida, muitos homossexuais vão buscar alívio em Deus, e não se sentem à vontade para ir a uma igreja, que teoricamente, deveria ser hospitaleira para todos. Sabe por quê? Simples: a igreja quer que eles deixem de ser o que “se tornaram”, que “voltem a ser heterossexuais”.
            Querido leitor, tentar imaginar que uma pessoa escolhe viver correndo o risco de ser linchado na rua, no trabalho ou na própria casa pelos próprios familiares é forçar muito a barra. É ridículo. Pessoas, geralmente, escolhem uma vida tranquila, com direito à felicidade, à segurança, à liberdade, e não o contrário.
            Esse papo de opção sexual, em minha opinião, é uma maluquice que alguém inventou. As pessoas nascem heterossexuais, homossexuais ou bissexuais, e por mais que se vistam de uma falsa aparência na tentativa de camuflar quem elas realmente são, lutando pela sobrevivência nesse mundo de quadradinhos geometricamente delimitados, a essência estará sempre presa lá dentro tentando respirar. Querer que uma pessoa passe a ser outra pessoa é, antes de tudo, muito, mas muito cruel. Crueldade não combina com amor, você não acha?
            Aí alguém pode querer dizer: ah, mas os homossexuais também atacam a igreja! Bem, alguns sim, é verdade! Também é verdade que muitos religiosos não concordam com essa barbaridade toda que vemos nos meios de comunicação ou nos templos, como eu disse lá em cima. Sim, é verdade também! Gente, quem foi que disse que homossexuais e religiosos devem ser inimigos? Quem disse que a fé é exclusiva dos heterossexuais? E quem disse ainda, que essas pessoas devem ser ásperas umas com as outras? Sua orientação sexual e sua religião não determinam o que você diz e como você diz. Isso é coisa do seu caráter.
            E se você estiver torcendo o seu nariz para mim enquanto lê esse texto, eu digo que sou sim a favor dos direitos iguais para todos! Todos devem sim ter o direito de ir e vir, de usar a roupa que quiser, de arrumar o cabelo da forma que quiser e se quiser ter cabelo, de ser solteiro, de namorar a pessoa por quem se apaixonar, de se casar, de ter ou adotar filhos, formar família e ser um ser humano pleno, cidadão consciente e praticante de seus direitos e deveres. Ser heterossexual, gay, lésbica, bissexual, ou em outras palavras, ser gente jamais deveria ser motivo de ódio. Longe disso. Ninguém deve ser marionete de ninguém! Cortem os cordões, pelo bem da humanidade!
            Acho que enquanto tanta gente está por aí se preocupando demais em atacar uns aos outros levantando bandeira religiosa ou gay e escolhendo um lado da corda pra puxar, deveriam investir no amor, no respeito à igualdade e às diferenças, valorizando a beleza de ser humano capaz de pensar e elaborar opiniões diferentes. Deveriam se concentrar em levantar uma única bandeira branca, envolvendo toda humanidade sobre o limpo e claro manto da paz.
            Utopia? Talvez. Mas eu escolho ter fé. Acredito em Deus, e acredito que Deus é bom.
            Lembre-se que você é humano, sente prazer, dor, alegria, tristeza, sorri, chora, e que as pessoas ao seu redor são humanas também, diferentes, mas iguais a você. Todos nós somos iguais enquanto seres humanos, e todos nós somos diferentes enquanto seres humanos. Parece confuso? Não é não. É natural.


JJJJJJJ

sábado, 12 de setembro de 2015

Banho


BANHO
(Lel Amaro)



            Acordou naquele dia com preguiça de levantar. Desligou o despertador e preferiu ficar mais alguns minutos na cama, ouvindo o som da chuva que descia lentamente pelo telhado.
            Observando que o tempo escoava como a água pelas calhas, levantou-se meio indisposto a encarar novamente a rotina enfadonha imposta por uma vida tempestuosa e lamacenta, onde seus sonhos foram atolados no barro escuro, pisados e desconhecidos. Refletiu.
            Arranjou alguma peça de roupa, visto que tinha poucas secas e a chuva impedia a secagem das outras, também poucas. Então, depois de ouvir alguma palavra desagradável resmungada por alguém, seguiu para o banheiro, fechou a porta e ficou ali dentro, deixando o mundo do lado de fora.
            Ao olhar sua imagem no espelho, com olheiras profundas, cabelo desgrenhado, tentou encontrar sua alma, ainda viva, respirando o que conseguia através das pupilas entre cortinas arroxeadas. A cada peça de roupa que retirava, era revelada uma parte de um corpo que, apesar da aparência, não é velho.
            Ligou o chuveiro, tossiu, pisou o chão escorregadio, ainda gelado, e se misturou à água. E no meio das gotas, começou a tocar em seus ouvidos uma canção bonita, um canto de fé, e não estava mais tão frio.
            A música envolvia sua pele, e a dor em suas costas sinuosas, enrijecidas pelo tempo que insistiu em se adiantar, foi incapaz de impedir seus movimentos tímidos e ritmados.
            E se lembrou de quando era uma criança, e seus sonhos reviveram quando sua alma venceu as pupilas, incorporada nas bolhas de sabão, e abraçou a água do chuveiro como se fosse o seu par, e dançou como se o tempo não existisse. Sua boca não fedia a podre, e pode sorrir.
            Ali era um novo mundo, e dançava, girava, sorria até que se viu em um palco. Todos o admiravam, e não se envergonhou de estar nu, com todos aqueles dançarinos nus que o acompanhavam, ao som dos tambores, kalimba, mbira, chocalhos e vozes.
            Em meio ao negro do teatro, algo branco e limpo o envolvia em sua dança, e se sentiu em paz, até que o tempo voltou, e precisou fechar o chuveiro. O mundo bateu a porta e o espetáculo foi interrompido.
            Então se penteou, se perfumou, se vestiu e se sentiu mais novo do que antes. O dia estava claro, e foi trabalhar, mas não foi sozinho. A música continuou lhe fazendo companhia, cantando discretamente que o sonho ainda vivia, e sua alma respirava.

SSSSSSS

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Leve...

LEVE...
(Lel Amaro)



            Como é bom viver mais leve...
          Sabe, tenho passado por muitos problemas. Essa está sendo mesmo uma fase muito complicada em minha vida. São dias difíceis, com problemas brotando de cada canto por onde eu passo.
           Costumo dizer que nada que acontece em nossas vidas é em vão, fruto do acaso, e eu agradeço a Deus porque tenho aprendido com os detalhes, às vezes sutis, outras vezes nem tanto.
           Vivo uma busca constante de me aproximar a cada dia mais de Deus. Esse é o meu objetivo de vida. Sinto que estou conseguindo, e isso me deixa muito feliz.
         Sinto-me bem melhor do que era antes, ao ponto de passar pelas situações com mais serenidade, falando quando necessário, discutindo o menos possível e aproveitando mais o silêncio, a observação e a reflexão. Às vezes tenho meus instantes de fúria, e não me martirizo por esses deslizes. Sou humano, imperfeito, mas isso não me torna mal ou menor do que os outros.
            Resultado: vivo a cada dia mais leve!
       Apesar da tempestade, apesar das forças que querem me fazer afundar, apesar de minhas imperfeições, que são muitas, apesar de todo o ódio que ainda sinto e não nego, apesar da ingratidão, dos "amigos" que se foram, apesar de toda intenção contrária, meu foco está em Deus, e é nessa direção que eu quero seguir a cada dia! Deus conhece o meu coração e a minha mente, e ninguém mais.


JJJJJJJ

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Bilhetes

BILHETES
                                     (Lel Amaro)



Sonhos, sensações, arrepios, animais, vivos ou mortos
Inesperados nos lugares certos e nas horas certas
Sinais, portadores de significados necessários
Capazes de inspirar mudanças de atitudes.

Pequenos detalhes que deixam de ser simples pelo contexto.
Um sapo na calçada, uma mancha na janela,
Uma cobra esmagada no asfalto...

O que para todos parece bobagem ou loucura
É a mais lúcida realidade, e sempre foi assim.
Quem carrega consigo essa sensibilidade
Nem sempre a compreende em si,
Mas algo diz o que é necessário
De modo incomum, porém claro e objetivo.

Não a pede, mas lhe vem.
Talvez um dia a compreenda,
Mas o que lhe comunica já é motivo de gratidão.


 /

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Conversa de Carnaval

CONVERSA DE CARNAVAL
(Lel Amaro)



            Chegou fevereiro. Aí, aquele cara que votou errado e colocou a pilantragem no poder, aquele cristão que contribuiu para as mansões do pastor adquirindo meias e tijolinhos por preços que nem comento, aquele pegador que trepou com as sete freguesias e nem pensou que deveria agasalhar o “Severino”, aquele individualista que precisa do dicionário para entender o significado de caridade, que entope o corpo de hambúrguer, batata frita e refrigerantes e entope os bueiros com as embalagens, e outras malas que conhecemos, começam a dizer que a situação econômica do país, o aumento de doenças venéreas, a pobreza e a violência, o consumo de alimentos “ruins” e a poluição seriam reduzidos se o governo acabasse com o Carnaval.
            Acabar com o carnaval não garante que a vida será um mar de rosas, mas uma grande mudança de atitude pode dar ótimos resultados. Se o seu dinheiro não está rendendo o que deveria render pela lógica, saber planejar onde você investe é um bom começo. Dar grana pra quem tem o porco mais gordo que o seu é meio incoerente...
            Tá com medo de pegar doença alguma doença no Carnaval? Tenha cuidado! Todo mundo já sabe das medidas preventivas, e elas valem para o ano todo! Você ainda se lembra de onde fica o posto de saúde?
            Acha que a vida do seu próximo está ruim? Ponha suas ideias em prática, visite um abrigo de idosos, contribua para alguma ação social séria, comece por você mesmo!
            Acha que vai engordar, ter piriri ou ficar de porre? Você decide o que entra na sua boca, assim como os outros! Ninguém vai obrigar você a comer aquele lanche bombástico do comercial, e aquela placa vermelha famosa na parede da lanchonete é uma sugestão, e não uma ordem.
            Acha que a rua está suja? Faça a sua parte e jogue o lixo na lixeira, e se não tiver lixeira, guarde no bolso até encontrar alguma. Além disso, plante árvores, adote um animal carente, pague o que deve, respeite o próximo, e veja que muitos problemas não serão resolvidos, mas a vida melhora bastante com bons hábitos.
            Agora, meu amigo, se depois de todas essas dicas, você ainda insiste em manter hábitos errados e colocar a culpa no Carnaval toda vez que chega fevereiro, eu só espero, pelo menos, que você não seja um daqueles que já começaram votando errado...


POPOPOP

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Salve o Carnaval!!!

SALVE O CARNAVAL!!!
(Lel Amaro)



            Olha só, muitas pessoas falam do carnaval como se fosse um grande problema do nosso país, o associando às pessoas que nessa época fazem de tudo o que não devem e mais um pouco e ao descaso dos nossos governantes com áreas fundamentais que são negligenciadas.
            Quem nunca ouviu alguém dizer que no carnaval aumentam as ocorrências de mortes e acidentes associados ao alcoolismo ou à prática sexual sem os devidos cuidados?
            Pra começo de conversa, acho que o que rola por trás do carnaval não é carnaval. Primeiro ponto: quem quer beber ou usar outras drogas não precisa de data especial para isso. Tem pinguço cercando porco na ventania todo dia do ano pra quem quiser ver, e isso não é exclusividade brasileira.
            Sobre o que diz respeito às doenças venéreas, todo mundo já está careca de saber dos riscos que assumem ao não tomarem os cuidados que são devidamente recomendados para preveni-las. Se tiver gente fazendo filho enquanto o boco passa, não é culpa de quem está sambando, não acha? Em outras palavras, o carnaval é uma festa coletiva, e esses problemas vêm da consciência de cada babaca que decide colocar em risco a sua vida e a de outros que estiverem próximos.
            E se você pensa que acabou ainda tem mais.
            Quem nunca ouviu dizer que o dinheiro que financia o carnaval deveria ser destinado à saúde e à educação?
            Bem, isso aí eu penso do dinheiro dos salários estratosféricos dos parlamentares, que são aumentados quando eles simplesmente decidem, enquanto temos um salário mínimo que dá vergonha, um país de analfabetos funcionais que engordam as estatísticas de alfabetizados pra inglês ver e pessoas doentes morrendo em corredores de hospitais públicos e filas de espera no SUS.
            Aí vem me dizer que a culpa disso tudo é do carnaval? Ah, me desculpa, mas pra mim não cola.
            Carnaval é arte, é cultura, é diversão. Se você nunca assistiu, assista a um desfile de escola de samba e veja quanta cultura na avenida! Aproveita pra pesquisar um pouco e veja também quanto trabalho envolvido, e quanta pesquisa que é feita por todos que passam um ano inteiro se dedicando para por na avenida aquilo que muitos querem que acabe. Isso sem falar nas outras formas de brincar o carnaval pelos quatro cantos do Brasil.
            Não penso que devam combater o carnaval. Não devemos confundir as coisas. Se você leitor não gosta de carnaval, é seu direito e eu respeito. Não participe do carnaval e pronto! Do mesmo modo, peço que respeitem as comunidades que mostram o nosso samba, o nosso frevo, o nosso maracatu, as nossas mulatas, os nossos malandros e as nossas baianas para o mundo! Carnaval é cultura e arte, e o resto é mal aproveito. Faça um bom aproveito do nosso carnaval!

POPOPOP


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Descanso

DESCANSO
(Lel Amaro)



            Ah velha, com suas mãos frágeis e trêmulas. Essas mãos que já foram lisas, mas hoje estão gastas pelo sabão, pelas vassouras, pelas cebolas... Essas mãos que acariciaram meu cabelo, hoje imprecisas, nem penteiam mais os fios brancos e ralos de sua cabeça.
            Ah velha, com sua cabeça branca, pendendo para frente dos ombros. Essa cabeça que sustentava sua valentia diante da vida, hoje mal se sustenta, com o peso dos anos que enfeitam seu chapéu florido. Essa cabeça que me contou tantas histórias, agora me diz as últimas mensagens através de seus olhos.
            Ah velha, com seus olhos profundos, levemente abertos. Esses olhos viram o mundo mudar, e seus sobrinhos, filhos e netos crescerem, crescerem, até que um de cada vez foi sumindo, sumindo... E ficaram os seus olhos, profundos e úmidos, sob suas mãos trêmulas, sob sua franja rala e branca.
            Ah velha, eu sei que hoje seu corpo é cansado, e que não demora a sua partida, mas me deixa ficar aqui um pouquinho. Envolvido em seu xale de lã, está um coração que cruzou décadas, amou a muitos, e ainda não parou. Espera só mais um pouquinho, repousa sua cabeça em meu ombro, e recebe de volta um pouquinho do que distribuiu.
            Então, aos pouquinhos, deixe descansar suas mãos, sua mente, seus olhos, seu coração...


TTTTTTT

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Até logo!

ATÉ LOGO
Lel Amaro



            Para morrer basta estar vivo. Quem de nós nunca ouviu essa frase? E não é que ela faz muito sentido? Engraçado como falamos friamente estas palavras quando nos deparamos com notícias de falecimentos nos jornais, ou mesmo no trabalho ou vizinhança.
            Ainda que haja o respeito pela família enlutada, essas palavras frias surgem das bocas confusas, que se atrapalham e acabam por não observar a delicadeza. Dizem com firmeza de pensamento e tenebrosa voz: para morrer basta estar vivo.
            E aí a coisa fica estranha. Os próximos ao defunto se indignam, os próximos a quem fala tecem reflexões sobre a vida, e os demais, por vezes, até acham graça, zombam da situação...
            E assim caminham os vivos, com a morte na cara, porém, displicentes.
            Sejamos realistas: quando morre alguém por aí, é fácil dizer que ‘basta estar vivo’, mas quando a morte bate a nossa porta, a situação muda. Por mais que as evidências nos mostrem uma foice na esquina, estamos preparados é para a vida, e só. Mesmo que alguém se diga preparado para a morte, quando ela chega, a força vai, o chão não é seguro, a vida por um momento não faz sentido e tudo o que fica é um grande oco.
            Por mais que alguém queira, não dá para controlar um acontecimento que supera a força de qualquer exército. A tropa mais armada e mais treinada que entrar em batalha inevitavelmente trará consigo a memória de seus mortos. E neste momento, não há palavras que expressem a dor, não á gestos que preencham o vazio; simplesmente não há o que se possa fazer.
            Acredito que não há como vencer a morte porque não se vence o que não existe. O que é a morte? Para muitos é o fim, a certeza de nunca mais tocar em alguém, olhar nos olhos, sentir o perfume. Não poder mais ouvir a voz de um ente querido ou mesmo dizer aquilo que queria ter dito no café da manhã de ontem, mas faltou a coragem. Não vejo dessa forma.
            A morte dói para todos nós, porque não há quem consiga raciocinar com o juízo perfeito nesse momento, mas quando a dor passa, nossa mente pode se abrir para aquilo em que muitos como eu acreditam.
            A morte é como uma mudança de emergência, com todo aquele desconforto de fazer tudo às pressas porque não há mais tempo para esperar. Só que nessa mudança, não podemos ir todos juntos. Tudo o que sabemos é que todos nós embarcaremos de repente, e que só foi paga a passagem de ida.
            Um dia todos nós nos encontraremos mais uma vez, em um lugar muito melhor, assim espero, e vamos rir muito dessa coisa toda. Vamos ver que a bagagem de todo mundo ficou perdida na estação, e que foi bobagem se importar com tanta coisa pequena. Medalhas, cofres, troféus, diplomas, tudo empilhado nos achados e perdidos.
            Então, em nosso reencontro, a cada pessoa que a gente rever será um novo sorriso e um novo abraço. Sentiremos de novo cada perfume, ouviremos cada voz, e diremos tudo o que deve ser dito. Quem vai morrer é a saudade, e essa sim, vai sumir pra sempre. Enfim, teremos a certeza de que nunca mais nos separaremos.
            É nisso que eu acredito, e assim pretendo continuar acreditando. Morte é apenas uma viagem, e viagens costumam ser muito boas. Por isso, prefiro e escolho não dizer adeus a ninguém. Melhor olhar no rosto de quem vai, e mesmo sentindo a dor da despedida, dizer com muita fé: até logo, meu querido amigo. A gente se vê logo mais.


VVVVVVV

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O tempo passa...

O TEMPO PASSA...
(Lel Amaro)



            Com um aviso, comecei um novo ciclo. Aí, vimos que apesar de polêmicas, como aquela dos carros oficiais, devemos sempre sorrir, no domingo, ou qualquer que seja o tempo.
            Falei sobre a verdade sobre ser cantor gospel, em alguns casos, mandei cartinha para o Papai Noel, e tentei conviver bem com as reflexões de segunda-feira.
            Comentei sobre a realidade do SUS, a importância de uma boa companhia e desejamos todos feliz Natal.
            Falei sobre a pergunta de muitos solitários: onde estará o meu amor? Aqui com meus botões, teci comentários diversos... Como não sou perfeito, contei uma mentirinha de 1º de abril, e pedi a você: mesmo com essa mentirinha, diz que me ama.
            Refletimos juntos sobre o sucesso musical no Brasil, reviramos nossas memórias.
            Refletimos juntos sobre o aborto, lendo a emocionante mensagem de uma filha.
            Vimos como sofreu o Satanás no país da copa, e a curiosa história da galinha e o leão. É bom preparar os primeiros socorros...
            Lembramos juntos de um dos nossos maiores campeões, e nos demos conta de que já fazem 20 anos de sua partida.
            Falei de putas, fé cega, sonho estranho..., até uma breve consideração sobre a delicadeza do torcedor. Cantei uma nova música, e sempre cantarei. Quando eu morrer, quem irá me ouvir?
            Mandei cartinha aos leitores, sem medo da queda, sem esperar souvenir. Pensei até que iria apanhar quando disse: quer um docinho?
            E assim, como o jardineiro em seu jardim, continuei e continuo regando esse blog. O resto é resto. E mesmo em luto, dizendo R.I.P. Brasil, mesmo sabendo que alguns que se diziam amigos hoje são inimigos, eu sei que novos amigos virão, e continuo acreditando que dias melhores virão, e enquanto eu acreditar, esse blog terá sentido de existir.
            Hoje, completamos um ano, desejando que venham novos anos, novas realizações, emoções, e tudo o que temos direito. Obrigado a você que me visita. Até a próxima!


JJJJJJJ