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Aqui no blog você pode conhecer um pouco dos meus textos, minhas opiniões, minhas preferências... Boa leitura!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Salve o Carnaval!!!

SALVE O CARNAVAL!!!
(Lel Amaro)



            Olha só, muitas pessoas falam do carnaval como se fosse um grande problema do nosso país, o associando às pessoas que nessa época fazem de tudo o que não devem e mais um pouco e ao descaso dos nossos governantes com áreas fundamentais que são negligenciadas.
            Quem nunca ouviu alguém dizer que no carnaval aumentam as ocorrências de mortes e acidentes associados ao alcoolismo ou à prática sexual sem os devidos cuidados?
            Pra começo de conversa, acho que o que rola por trás do carnaval não é carnaval. Primeiro ponto: quem quer beber ou usar outras drogas não precisa de data especial para isso. Tem pinguço cercando porco na ventania todo dia do ano pra quem quiser ver, e isso não é exclusividade brasileira.
            Sobre o que diz respeito às doenças venéreas, todo mundo já está careca de saber dos riscos que assumem ao não tomarem os cuidados que são devidamente recomendados para preveni-las. Se tiver gente fazendo filho enquanto o boco passa, não é culpa de quem está sambando, não acha? Em outras palavras, o carnaval é uma festa coletiva, e esses problemas vêm da consciência de cada babaca que decide colocar em risco a sua vida e a de outros que estiverem próximos.
            E se você pensa que acabou ainda tem mais.
            Quem nunca ouviu dizer que o dinheiro que financia o carnaval deveria ser destinado à saúde e à educação?
            Bem, isso aí eu penso do dinheiro dos salários estratosféricos dos parlamentares, que são aumentados quando eles simplesmente decidem, enquanto temos um salário mínimo que dá vergonha, um país de analfabetos funcionais que engordam as estatísticas de alfabetizados pra inglês ver e pessoas doentes morrendo em corredores de hospitais públicos e filas de espera no SUS.
            Aí vem me dizer que a culpa disso tudo é do carnaval? Ah, me desculpa, mas pra mim não cola.
            Carnaval é arte, é cultura, é diversão. Se você nunca assistiu, assista a um desfile de escola de samba e veja quanta cultura na avenida! Aproveita pra pesquisar um pouco e veja também quanto trabalho envolvido, e quanta pesquisa que é feita por todos que passam um ano inteiro se dedicando para por na avenida aquilo que muitos querem que acabe. Isso sem falar nas outras formas de brincar o carnaval pelos quatro cantos do Brasil.
            Não penso que devam combater o carnaval. Não devemos confundir as coisas. Se você leitor não gosta de carnaval, é seu direito e eu respeito. Não participe do carnaval e pronto! Do mesmo modo, peço que respeitem as comunidades que mostram o nosso samba, o nosso frevo, o nosso maracatu, as nossas mulatas, os nossos malandros e as nossas baianas para o mundo! Carnaval é cultura e arte, e o resto é mal aproveito. Faça um bom aproveito do nosso carnaval!

POPOPOP


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Descanso

DESCANSO
(Lel Amaro)



            Ah velha, com suas mãos frágeis e trêmulas. Essas mãos que já foram lisas, mas hoje estão gastas pelo sabão, pelas vassouras, pelas cebolas... Essas mãos que acariciaram meu cabelo, hoje imprecisas, nem penteiam mais os fios brancos e ralos de sua cabeça.
            Ah velha, com sua cabeça branca, pendendo para frente dos ombros. Essa cabeça que sustentava sua valentia diante da vida, hoje mal se sustenta, com o peso dos anos que enfeitam seu chapéu florido. Essa cabeça que me contou tantas histórias, agora me diz as últimas mensagens através de seus olhos.
            Ah velha, com seus olhos profundos, levemente abertos. Esses olhos viram o mundo mudar, e seus sobrinhos, filhos e netos crescerem, crescerem, até que um de cada vez foi sumindo, sumindo... E ficaram os seus olhos, profundos e úmidos, sob suas mãos trêmulas, sob sua franja rala e branca.
            Ah velha, eu sei que hoje seu corpo é cansado, e que não demora a sua partida, mas me deixa ficar aqui um pouquinho. Envolvido em seu xale de lã, está um coração que cruzou décadas, amou a muitos, e ainda não parou. Espera só mais um pouquinho, repousa sua cabeça em meu ombro, e recebe de volta um pouquinho do que distribuiu.
            Então, aos pouquinhos, deixe descansar suas mãos, sua mente, seus olhos, seu coração...


TTTTTTT

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Até logo!

ATÉ LOGO
Lel Amaro



            Para morrer basta estar vivo. Quem de nós nunca ouviu essa frase? E não é que ela faz muito sentido? Engraçado como falamos friamente estas palavras quando nos deparamos com notícias de falecimentos nos jornais, ou mesmo no trabalho ou vizinhança.
            Ainda que haja o respeito pela família enlutada, essas palavras frias surgem das bocas confusas, que se atrapalham e acabam por não observar a delicadeza. Dizem com firmeza de pensamento e tenebrosa voz: para morrer basta estar vivo.
            E aí a coisa fica estranha. Os próximos ao defunto se indignam, os próximos a quem fala tecem reflexões sobre a vida, e os demais, por vezes, até acham graça, zombam da situação...
            E assim caminham os vivos, com a morte na cara, porém, displicentes.
            Sejamos realistas: quando morre alguém por aí, é fácil dizer que ‘basta estar vivo’, mas quando a morte bate a nossa porta, a situação muda. Por mais que as evidências nos mostrem uma foice na esquina, estamos preparados é para a vida, e só. Mesmo que alguém se diga preparado para a morte, quando ela chega, a força vai, o chão não é seguro, a vida por um momento não faz sentido e tudo o que fica é um grande oco.
            Por mais que alguém queira, não dá para controlar um acontecimento que supera a força de qualquer exército. A tropa mais armada e mais treinada que entrar em batalha inevitavelmente trará consigo a memória de seus mortos. E neste momento, não há palavras que expressem a dor, não á gestos que preencham o vazio; simplesmente não há o que se possa fazer.
            Acredito que não há como vencer a morte porque não se vence o que não existe. O que é a morte? Para muitos é o fim, a certeza de nunca mais tocar em alguém, olhar nos olhos, sentir o perfume. Não poder mais ouvir a voz de um ente querido ou mesmo dizer aquilo que queria ter dito no café da manhã de ontem, mas faltou a coragem. Não vejo dessa forma.
            A morte dói para todos nós, porque não há quem consiga raciocinar com o juízo perfeito nesse momento, mas quando a dor passa, nossa mente pode se abrir para aquilo em que muitos como eu acreditam.
            A morte é como uma mudança de emergência, com todo aquele desconforto de fazer tudo às pressas porque não há mais tempo para esperar. Só que nessa mudança, não podemos ir todos juntos. Tudo o que sabemos é que todos nós embarcaremos de repente, e que só foi paga a passagem de ida.
            Um dia todos nós nos encontraremos mais uma vez, em um lugar muito melhor, assim espero, e vamos rir muito dessa coisa toda. Vamos ver que a bagagem de todo mundo ficou perdida na estação, e que foi bobagem se importar com tanta coisa pequena. Medalhas, cofres, troféus, diplomas, tudo empilhado nos achados e perdidos.
            Então, em nosso reencontro, a cada pessoa que a gente rever será um novo sorriso e um novo abraço. Sentiremos de novo cada perfume, ouviremos cada voz, e diremos tudo o que deve ser dito. Quem vai morrer é a saudade, e essa sim, vai sumir pra sempre. Enfim, teremos a certeza de que nunca mais nos separaremos.
            É nisso que eu acredito, e assim pretendo continuar acreditando. Morte é apenas uma viagem, e viagens costumam ser muito boas. Por isso, prefiro e escolho não dizer adeus a ninguém. Melhor olhar no rosto de quem vai, e mesmo sentindo a dor da despedida, dizer com muita fé: até logo, meu querido amigo. A gente se vê logo mais.


VVVVVVV

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O tempo passa...

O TEMPO PASSA...
(Lel Amaro)



            Com um aviso, comecei um novo ciclo. Aí, vimos que apesar de polêmicas, como aquela dos carros oficiais, devemos sempre sorrir, no domingo, ou qualquer que seja o tempo.
            Falei sobre a verdade sobre ser cantor gospel, em alguns casos, mandei cartinha para o Papai Noel, e tentei conviver bem com as reflexões de segunda-feira.
            Comentei sobre a realidade do SUS, a importância de uma boa companhia e desejamos todos feliz Natal.
            Falei sobre a pergunta de muitos solitários: onde estará o meu amor? Aqui com meus botões, teci comentários diversos... Como não sou perfeito, contei uma mentirinha de 1º de abril, e pedi a você: mesmo com essa mentirinha, diz que me ama.
            Refletimos juntos sobre o sucesso musical no Brasil, reviramos nossas memórias.
            Refletimos juntos sobre o aborto, lendo a emocionante mensagem de uma filha.
            Vimos como sofreu o Satanás no país da copa, e a curiosa história da galinha e o leão. É bom preparar os primeiros socorros...
            Lembramos juntos de um dos nossos maiores campeões, e nos demos conta de que já fazem 20 anos de sua partida.
            Falei de putas, fé cega, sonho estranho..., até uma breve consideração sobre a delicadeza do torcedor. Cantei uma nova música, e sempre cantarei. Quando eu morrer, quem irá me ouvir?
            Mandei cartinha aos leitores, sem medo da queda, sem esperar souvenir. Pensei até que iria apanhar quando disse: quer um docinho?
            E assim, como o jardineiro em seu jardim, continuei e continuo regando esse blog. O resto é resto. E mesmo em luto, dizendo R.I.P. Brasil, mesmo sabendo que alguns que se diziam amigos hoje são inimigos, eu sei que novos amigos virão, e continuo acreditando que dias melhores virão, e enquanto eu acreditar, esse blog terá sentido de existir.
            Hoje, completamos um ano, desejando que venham novos anos, novas realizações, emoções, e tudo o que temos direito. Obrigado a você que me visita. Até a próxima!


JJJJJJJ

domingo, 26 de outubro de 2014

R.I.P. Brasil

R.I.P.
BRASIL
(Lel Amaro)

            Olha só amigos, o peso de tantas orelhas dói nas minhas costas. Diante do que vemos nesse dia 26 de outubro de 2014, não escreverei. Apenas deixarei algumas imagens que falam por si.














            Diante de tudo isso, tudo que fica é uma nuvem negra de perguntas pairando sobre a minha cabeça. Por quê? Como assim? Como tudo isso se encaixa? Sem mais...

...

terça-feira, 7 de outubro de 2014

RESTO

RESTO
(Lel Amaro)



            Sabe, de uma coisa eu tenho total consciência: para muitos sonhos o meu tempo passou e é tarde demais para revivê-los.
            Muitos planos, projetos e metas foram afogados por águas que não vale a pena tentar buscar palavras suaves para descrever, e por isso, não farei esse esforço. Também não me interessa mais a fonte, visto que a correnteza já passou e derrubou tudo, e quando o nível começou a baixar, só sobraram galhos quebrados, cadáveres e pedra lavada.
            Assoreado, com margens feias e peladas, cimentadas e frias, mesmo assim ainda trago alguma vida em mim. Ainda que sejam ratos, em mim respiram, e mantém viva em mim a memória dos peixes e flores que vi e sonhei no passado.


VVVVVVV

domingo, 28 de setembro de 2014

O Jardineiro

O JARDINEIRO
(Lel Amaro)



            Um jardineiro trabalhava cuidadosamente em seu jardim. Era um jardim enorme, com flores de todas as cores. O jardim era tão colorido que até os anjos vinham visitá-lo, e saiam felizes, encantados com seu elaborado perfume.
            Para manter o jardim saudável, todos os dias o jardineiro regava as plantas, adubava, retirava as pragas e as ervas daninhas. Nenhuma planta ficava sem seus cuidados.
            De vez em quando, uma ou outra planta crescia mais do que as outras, e esparramava suas folhas e flores sobre as plantas vizinhas. O jardineiro sabe que para viverem saudáveis, todas as plantas do seu jardim precisam receber a luz do sol. Então, com muito carinho, mas com decisão, o jardineiro poda os galhos que estão crescendo mais do que deveriam, e a planta que cobria as outras já não é tão grande.
            Todas as plantas amam o jardineiro, mas nem todas o entendem do mesmo modo. Algumas o chamam de Olorun, outras de Jeová. Há ainda aquelas que o chamam de Tupã, Oxalá, Brama, Zambi, Alá, e vários outros nomes.
            O jardineiro, independente de como é conhecido por cada uma, cuida de todas as plantas com o mesmo amor, e faz com que a luz do sol brilhe sobre todas elas, todos os dias. Assim, ele garante o equilíbrio das cores e o delicado perfume campestre, para que o jardim permaneça vivo e saudável. Este é o jardineiro, e nós conhecemos as plantas.

RRRRRRR