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Aqui no blog você pode conhecer um pouco dos meus textos, minhas opiniões, minhas preferências... Boa leitura!

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

BOTÕES


BOTÕES
(Lel Amaro)

Eu aqui com meus botões
Fico pensando em segredo
E observando, em secreto
Que a vida está cheia de botões
São tantos botões em todos os lugares
E sempre estão inventando mais botões
Botões nos carros, nos computadores
E eu fico somente pensando com meus botões:
Pra que tanto botão?
Criam-se tantos botões para tantas finalidades
E toda essa quantidade de botões é insuficiente
Botões podem até ficar por aí, por algum tempo
Mas tudo passa, até mesmo os meus botões
Da minha fina camisa, ou do meu paletó
E não tem muita garantia de futuro
Esses botões artificiais, cheios de erros
Os botões naturais sim
Esses até inspiram alguma esperança
E o bom jardineiro, com seu avental
Cuida bem dos seus botões
E eu aqui com meus botões
Continuo pensando em segredo
E observando, em secreto
Disfarçado em meu paletó
Até mesmo as mais belas flores,
Dos mais belos botões
Não são eternas
Bem como os carros
Bem como os computadores
Bem como o jardineiro
Bem como eu
Que, aqui com meus botões
Fico pensando em segredo
E observando, em secreto
Que todos poderão levar no peito
Segurando em suas mãos frias
Um botão, de uma bela flor
Quando fecharem os botões do paletó
Ficarão com seus botões, em segredo...
Descansando, em secreto...


VVVVVVV

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Onde estará o meu amor?

ONDE ESTARÁ O MEU AMOR?
(Lel Amaro)


            Olha só, acredito que a dúvida que eu abordo possa ser a dúvida de muitos outros que estão por aí, mas que diante dos esmagadores desvios comportamentais e distorções de valores da sociedade atual, se sentem espremidos em um canto sombrio, onde fica a saudade de um tempo que não pudemos vivenciar. Apenas escutamos ecoar a pergunta vinda de bocas chorosas que calam, mas não querem calar: onde estará o meu amor?
            Essa pergunta já foi cantada por uma grande baiana, em versos anotados por um notável compositor paraibano, e permanece sem respostas. Ninguém sabe, mas muita gente já viu e já sentiu.
            O amor é lindo! As pessoas suspiravam dizendo essa máxima, assistindo peças românticas nos teatros, escrevendo cartas em papéis bonitos decorados, preparando serenatas sob o risco de receber um balde de água fria na cabeça... Foi um tempo que cercas eram puladas, mas para encontrar aquela menina superprotegida pelo pai, ou para um encontro em uma tarde bonita, sob uma frondosa árvore à beira de um lago cristalino.
            Num tempo onde existia muito ódio e preconceitos declarados, o amor sobrevivia à duras penas, mas sobrevivia e era real! Se alguém dizia amar outro alguém, é porque amava mesmo, e fim de papo!
            E o amor que era lindo nos livros, começou a ser cantado nas rádios, gravado em discos de 78 rotações por minuto, daqueles de goma laca, chegou às telas e preto e branco das televisões de tubo, daquelas que a imagem começava a despencar logo na hora do beijo final e deixava as mocinhas histéricas. Nesse mesmo tempo, com escorregadas tímidas e maliciosas, o amor também começou a despencar.
            Desonestamente, o ódio, que era repelido, começou a ganhar espaço nas radionovelas, nas telenovelas, no cinema e até nos livros. As armações começaram a ser trabalhadas, porque mostrava a luta do bem contra o mal, e blá blá blá... E foi assim que o mal foi ficando cada vez mais íntimo das famílias de bem como algo suportável de se ver, e até divertido de se ler ou assistir. Tornou-se até mesmo inspirador. E o amor, coitado, desapercebidamente, era marginalizado.
            Outrora cantava-se “eu sempre vou te amar”, “tu és divina e graciosa”, elogiavam-se os olhos, os sorrisos, e quando o povo se deu conta, chegamos nos anos 90. Aí a coisa já estava encaminhada para o fim. O bonito não é mais a conquista, mas quem pega mais, beija mais, usa mais e se torna popular por ser superficial. E nessa moda de peitos, bundas e pintos revelados, o amor se torna brega, démodé, antiquado, careta, e tantos quantos forem os adjetivos negativos e pejorativos que a sociedade dita descolada e vida louca quiser dar ao sentimento mais nobre, que eu quero muito acreditar que ainda tenha forças para existir.
            Não é porque eu estou partindo do ponto de vida artístico que tudo isso é apenas fantasia. A arte e a vida real se refletem e se misturam, e nada é completamente dissociado. Tudo isso mostra como tem sido as atitudes das pessoas umas com as outras principalmente da década de 90 para cá! O amor foi reduzido ao nível banalizado de uma mera expressão de efeito, e olhe lá! As pessoas fazem promessas mentirosas em nome de um falso amor e em poucos meses, senão dias, dão uma banana para o parceiro ou parceira, sem o mínimo de respeito e consideração com o sentimento alheio.
            Com sentimento não se brinca. Coração não é brinquedo. As pessoas deveriam se dar conta de que atitudes ruins são cadeados fortíssimos, capazes de trancar corações magoados. Aqueles que ainda buscam sustentar a esperança de viver um amor real, encontram corações trancados e feridos, e acabam por serem bloqueados pela frieza e desconfiança. E então voltamos à nossa pergunta, lá do início: onde estará o nosso amor, se é que ele ainda existe e sobrevive?
            O amor ainda existe sim, e sobrevive enjaulado, com ânsias de viver em liberdade e reinar novamente entre corações, olhos e sorrisos sinceros. Ele grita em cada olhar solitário implorando por espaço, mas é abafado pelo medo das experiências sofridas com atitudes ruins de pessoas vazias e inconsequentes.
            Eu acredito que o amor é forte o bastante para quebrar os cadeados de medo e decepção, e abrir os corações que estão trancados na escuridão para um horizonte bonito, suave e livre de amarras. O amor não é vulgar, não é brega, nem démodé. O amor continua lindo, continua vivo, e está esperando e procurando quem o queira. Todos nós podemos amar. O amor está bem aqui. Chega de perder tempo com molecagem, pelo amor de Deus...


VVVVVVV

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Feliz Natal!

FELIZ NATAL!
(Lel Amaro)



            A família não se reuniu, como eu já esperava. Mesmo dentro de casa cada um ficou no seu canto. Não houve nem mesmo sequer cinco minutos juntos, e não haverá ceia. Ainda não chegou meia noite, mas todos já se recolheram para dormir, e só eu estou aqui, sozinho, em meu quarto.
            Assim, neste dia 24 de dezembro, eu espero a chegada do Natal. Sei que será um dia como outro qualquer, sem família reunida, sem amigos por perto, e hoje eu penso que é melhor que seja assim.
            É melhor estar sozinho em paz do que na guerra de todos, ou na falsidade de um dito espírito natalino, mais falso do que nota de três reais. É melhor o calor silencioso da minha cama do que a frieza dos abraços forçosos, dados para cumprir com as obrigações da data.
            Aqui, no meu cantinho, eu aguardo a chegada do Natal, mas sabendo que o dono da festa está sempre aqui comigo, dentro e fora de mim, preenchendo todo o espaço do meu quarto vazio. E quando estamos juntos, aí não existe separação, nem guerra, nem falsidade ou mesmo frieza, porque tudo é verdade.
            Então, logo mais, sob a luz da vela, nós dois, bem juntinhos, compartilharemos desse amor e da felicidade de saber que um dia a luz veio ao mundo, e que essa luz jamais será apagada. Estará sempre acesa em meu coração, iluminando, aquecendo e preenchendo todo o vazio. Esse será o nosso feliz Natal. Íntimo.

J J J J J J J

sábado, 14 de dezembro de 2013

Companhia


Companhia
             (Lel Amaro)

Alguns têm tios churrasqueiros, que sabem piadas
Daqueles que chamam todos para o quintal
Enchem a cara de cerveja e alegria aos domingos
Eu tenho um computador

Alguns têm muitos primos, que sabem histórias
Daqueles que fazem amigo oculto no Natal
Familiares próximos, que cresceram juntos
Eu tenho um computador

Alguns têm amigos verdadeiros, que sabem segredos
Daqueles que vão pra rua, pagam mico
Que juntam a mesa e racham as contas no final
Eu tenho um computador

Alguns têm alguém ao lado, que sabe ouvir
Daqueles que dão e recebem carinho
Que fazem a vida valer a pena em cada abraço
Eu tenho um computador

Eu vejo tudo por uma tela fria, que sabe iludir
Daquelas de vidro, sem braços, sem calor, sem pulso
Que me deixa dizer tudo isso, mas se a conexão cair...
Eu tenho um lenço, um travesseiro e um colchão.


S S S S S S S

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

SUS

SUS
(Lel Amaro)

Socorro!
Doeu!
Correu
Cartão
Fila
Mais fila
Guichê
Papéis. E mais papéis. E mais papéis. E mais papéis. E mais papéis.
Fila de espera de três meses. Espera. Espera mais. E dói ainda mais.
E depois de três meses, confirma e espera. E mais fila. E mais dores.
Pergunta
Examina
Aperta
Ofende
Exames
Mais fila
Mais dor
Agenda
Um mês
Mais fila
Mais dor
Tira sangue
Afere pressão
Tira a paciência
Espera
Resultados
Agenda
Um mês
Mais fila
Mais dor
Virose?
Caxumba?
Lombriga?
Emocional?
Emergência!
Mais exames!
Mais dores!!!
Mais agenda!!!
Corta as costas!!!
Mas era na barriga!!!
E a culpa é do hospital!
E a culpa é dos enfermeiros!
E a culpa é da copa, do novo papa, do diabo!
E quem não tinha culpa, agora descansa em paz. Pena, era uma boa pessoa.


V V V V V V V

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

REFLEXÕES DE SEGUNDA-FEIRA


REFLEXÕES DE SEGUNDA-FEIRA
(Lel Amaro)



Quando você chegou eu desconfiei
Quando você sorriu eu te admirei
Quando você falou eu pensei te conhecer
Quando você cantou eu me encantei
Quando você foi dormir eu sonhei
Quando você acordou eu te procurei
Quando você voltou eu acreditei
Quando você brincou eu me diverti
Quando você xingou eu nem liguei
Quando você chorou eu te consolei
Quando você ficou eu comemorei
Quando você mudou eu percebi
Quando você partiu eu confirmei
Quando você perceber eu nem serei
Quando você me ganhou eu me perdi
Quando você viver eu morrerei
Mas renascerei para mim
Quando eu confiar em mim
Quando eu sorrir para mim
Quando eu me fizer conhecido
Quando eu cantar minhas canções
Quando eu realizar meus sonhos
Quando eu acordar
Quando eu me divertir
Quando eu for poeta
Quando eu vibrar
Quando eu fugir
Quando eu for percebido
Quando eu for confirmado
Quando eu ganhar
Quando eu viver
Quando eu for
Quando virar saudade
Será tarde demais pra você

V V V V V V V

domingo, 1 de dezembro de 2013

CARTINHA PARA O PAPAI NOEL



Cartinha para o Papai Noel

       Querido Noel,
     Dezembro já chegou e ainda não enviei minha cartinha... Mas ainda dá tempo, não é mesmo? Eu sei que com todos os problemas com os correios a coisa deve ter ficado meio tensa aí no Ártico. Os duendes devem ter suado as orelhinhas para dar conta de construir os brinquedos pedidos nas cartas com entregas atrasadas. Fico até com vergonha...
      Mas sabe Noel, esse ano não foi dos melhores não. Bem que eu poderia dizer que foi um ano lindo, maravilhoso, mas eu não vou mentir, ainda mais para o bom velhinho. A coisa foi feia aqui nos trópicos também. Mas como já estou com mais atraso do que os correios e os aeroportos, eu não vou ficar perdendo tempo escrevendo sobre os nossos problemas daqui. Vou direto ao que realmente interessa porque os duendes devem ter acompanhado toda a movimentação pelas redes sociais.
     Aliás seu Noel, pelo amor da Virgem, em pleno 2013 bem que poderia receber meu pedido por e-mail, heim? Já fica a dica para o ano que vem, ok?
        Sabe Noel, tenho algumas coisas importantes para te pedir.
        Não pedirei só para mim porque não devemos ser egoístas, não é mesmo? Pedirei para todos nós, nos trópicos e em todo o mundo, tendo escrito carta, ou não, porque muitos ainda não tiveram a chance de pegar em um lápis e aprender a escrever o próprio nome.
     Não pedirei para ganhar na loteria, ou em nenhum título de capitalização. Menos ainda que sejamos incluídos em programas sociais de disfarce da pobreza. Pedirei que não falte o trabalho, que o trabalho seja bom e com as devidas condições atendidas. Que pessoas trabalhadoras sejam valorizadas tanto quanto os ladrões de paletó e gravata, que mesmo atrás das grades, recebem muito mais do que os três dígitos que o cidadão de bem recebe para sustentar sua família, quase milagrosamente.
        Não pedirei que esses mesmos ricos encarcerados bebam água mineral. Pedirei que todos os brasileiros, encarcerados ou não, tenham acesso à água e comida saudáveis, preparadas com amor, porque isso é direito de todos nós.
       Não pedirei que o Brasil ganhe a Copa do Mundo. Pedirei que o povo brasileiro receba o retorno justo de tudo aquilo que o gigante pela própria natureza produz, para que todos tenham educação, saúde, transporte, alimentação e tudo mais no padrão dos nossos estádios de futebol.
       Não pedirei vingança contra as pessoas que fizeram o mal neste ano. Pedirei sabedoria para dar o perdão, e que essas pessoas entendam que é muito melhor fazer o bem.
     Não pedirei que todos os times de futebol, religiões e estilos musicais se respeitem. Pedirei que as pessoas aprendam a amar. O respeito virá como um brinde na caixa, com toda a certeza.
        Assim Noel, eu termino a minha carta, e vou ficar torcendo para que ela chegue a tempo. Ah, quando vier ao Brasil, toma cuidado viajando de noite. Os sacoleiros e caminhoneiros é que sabem como que a banda toca. Ainda bem que o trenó vem pelos ares também, porque nossos asfaltos acabariam com os cascos das renas. E não esquece de trazer uma caixinha de primeiros socorros, que a fila de atendimento no SUS é de doer...
        Até dia 25! Abraços!
        (Lel Amaro)